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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Sergipe Mais justo: recuperação de 710 barragens rurais inicia em Poço Verde‏

A edição do “Programa de Recuperação de Barragens” de 2014 foi oficialmente iniciada nesta quarta-feira, 24, em reunião realizada na comunidade da Barragem do Amargosa, em Poço Verde. A grande construção será recuperada para voltar a armazenar água, através do empenho do Governo do Estado que tem a Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro) como órgão executor. Uma iniciativa do “Programa Sergipe Mais Justo” que vai investir R$ 1.890.492,53, do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza (Funcep) para recuperar 700 pequenas barragens rurais e outras 10 públicas,em 18 municípios.

Com a intenção de reduzir os efeitos da estiagem e combater a dessedentação animal em zonas onde já foi declarado o “estado de emergência” devido à seca, a iniciativa vem de uma parceria entre as secretarias de Estado da Agricultura e Desenvolvimento Rural (Seagri) e da Inclusão, Assistência e do Desenvolvimento Social (Seides).Nas edições de 2012 e 2013, o Programa beneficiou 1031 pequenos pecuaristas com até 19 cabeças de gado, recuperando suas aguadas e reformou outras quatro grandes barragens de uso coletivo.

Paulo Henrique Sobral, diretor de Infraestrutura da Cohidro, explica de que forma vão atuar as frentes de trabalho do Programa. “O trabalho das máquinas é limpar o leito destas barragens assoreadas pela ação da água, acumulando sedimentos e vegetação. Em 2014 serão, ao todo, 10 equipes atuando simultaneamente: dois grandes comboios de equipamentos para as grandes e médias e oito escavadeiras atuando, uma em cada município, para atender os pequenos pecuaristas”, colocou.

Barragem do Amargosa
Construída em 1986 pelo Governo do Estado, a Barragem do Amargosa em seu projeto original inundaria uma área de 60 hectares e teria uma capacidade de armazenamento de 2.450.000 m³ de água, tendo como fonte de abastecimento um córrego não-perene que foi represado pela obra. José Araújo de Souza diz que viveu a vida toda na região onde foi implantado o lago artificial. “Depois de terminada a obra, ela chegou a encher até a metade da capacidade, mas de lá pra cá ela só veio diminuindo, até que no ano passado ela secou de vez”, conta, informando que já houve ali um projeto de irrigação que parou, quando o nível do reservatório começou a baixar.

O secretário Municipal de Obras, Adauto Justino de Santana, explica qual é principal função da Barragem. “A expectativa pela obra é muito grande, não só da comunidade do Amargosa, mas de toda região, dos municípios vizinhos, pois aqui se pegava cerca de 50 carros de água por dia quando tinha água na represa. O Estado completando esta obra, vai ser excelente, haja vista que a gente mora numa região de clima semiárido.Há quatro anos que não temos uma chuva que supra nossas necessidades e com a barragem nos vamos ter”, relatou.

Prefeito de Poço Verde, Thiago Basilio Doria de Almeida, discursou demonstrando sua confiança e expectativa de melhores dias assim que findada e entregue a reforma do Amargosa. “Minha alegria é de ao entregar esta obra, atender um pedido que é uma vontade não só minha, mas é a de vocês, moradores, que tanto pediram para resolver este pleito. A barragem vai ser limpa, pedir a Deus do Céu para mandar chuva e encher a barragem para nós podermos utilizar desta água para beber, para plantar, tomar banho, como já foi um dia”, esperançou.


Mardoqueu Bodano, presidente da Cohidro, também presente no ato de início da obra no Amargosa, relatou aos presentes de que forma teve origem o “Programa de Recuperação de Barragens” promovido pelo Governo do Estado. “Quando teve aquela seca forte em 2012, o saudoso governador Marcelo Déda, teve a sensibilidade de promover este Programa, que já no primeiro ano recuperou 510 barragens, 517 no segundo, sendo quatro de grande porte como esta aqui de vocês. Estamos começando os trabalhos neste ano por aqui, mas pretendemos recuperar, desta vez, 700 pequenas e outras 10 iguais a do Amargosa”, enumerou.

Desde que foi construída, há 28 anos, a Barragem do Amargosa nunca recebeu algum reparo de recuperação e só pela ação do tempo e das chuvas, carecia de passar por reformas que serão feitas conforme explica o engenheiro agrônomo da Cohidro, Luís Carlos Alves Oliveira Netto, encarregado pelo planejamento e fiscalização dos trabalhos da Obra. “Vamos fazer aqui uma limpeza. Conforme acumula água, com o tempo, vai assoreando. A intenção é voltar ao tamanho e capacidade em que ela foi criada e se possível até aumentar o seu volume de água”, explicou.

Lote I
Luís Carlos é também o encarregado pelo Lote I do “Programa de Recuperação de Barragens”, que irá atender os municípios de Tobias Barreto, Poço Verde, Tomar do Geru, Pinhão, Pedra Mole, Frei Paulo, Nossa Senhora Aparecida e São Miguel do Aleixo, no pleito que se inicia em 2014.

“Foram investidos, com recursos próprios do Estado, R$ 803.498,48 para contratação de empresa N&V Comércio e Serviços de Locação de Veículos e Máquinas Ltda, que venceu a concorrência e efetuará as obras coordenadas pela Cohidro. Tem-se a previsão de recuperação de 300 reservatórios de água rurais e mais três barragens públicas. Além desta, do Amargosa, serão atendidas as barragens comunitárias dos povoados Alagoinhas, em Tobias Barreto e Jaqueira, em Tomar do Geru”, informou Luís Carlos.

Lote II
Já o engenheiro civil da Cohidro, Valdir Aragão Porto, atua no projeto desde seu início, em 2012. Neste ano ele vai ficar responsável pelo acompanhamento do Lote II do projeto, assistindo a reforma de 400 pequenas barragens rurais e sete barragens públicas, nos municípios de Canindé de São Francisco, Poço Redondo, Porto da Folha, Monte Alegre, Nossa Senhora da Glória, Gararu, Feira Nova, Graccho Cardoso, Itabi e Nossa Senhora de Lourdes. Em sua área de atuação foram contratados os serviços da empresa Transtop Locadora de Veículos e Máquinas Ltda, vencedora da concorrência pública, pelo valor de R$ 1.086.994,05. 

Valdir informa que o compromisso acordado no contrato com a prestadora de serviços é de que serão ao todo, em sua área de atuação, cinco retroescavadeiras para reformar as pequenas aguadas, cada uma em um município e outra equipe maior, com mais equipamentos, cuidando das públicas. “Estas barragens de médio para grande porte que serão reformadas estão localizadas no Assentamento Santa Rita, em Canindé; Povoado Serra do Brijinho, Poço Redondo; Povoado Serra dos Homens de Baixo, Porto da Folha; Povoado Fortaleza, em Glória; Lagoa das Areias, Monte Alegre e Povoado Ouricuri,em Gararu”, listou.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Embrapa e Cohidro iniciam a produção de pera, caqui e maçã em Lagarto‏

Com intenção de mostrar os resultados do projeto experimental, para produzir maçã, pera e caqui no Perímetro Irrigado Piauí, em Lagarto, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) convidou os técnicos e diretores, dos órgãos parceiros da iniciativa, para uma visita às “unidades de observação” na última quinta-feira, 22. A Companhia de Desenvolvimento Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro) é quem administra o pólo de irrigação que abriga as plantações e presta assistência técnica direta através de seu quadro funcional.

Além da Cohidro, compareceram técnicos e diretores da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), parceira da Embrapa no mesmo projeto em outros campos experimentais, como os de Petrolina-PE, onde se originou o plantio das primeiras mudas frutíferas e também fica a unidade “Semiárido” da Empresa de Pesquisa. Também compareceram à visita técnicos da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), interessados na novidade que inseriu estas culturas ao leque de variedades agrícolas produzidas no Estado.

Como é de frequência, o engenheiro agrônomo e pesquisador Paulo Roberto Coelho Lopes, da Embrapa-Semiárido, veio de Petrolina-PE para visitar os sete pomares instalados nas “unidades de observação” dos agricultores irrigantes. Além de coletar dados sobre o experimento, ele orienta os produtores sobre o manejo das frutíferas,poda,adubação e controle de pragas e doenças. “As plantações estão indo bem, com o desenvolvimento correndo dentro do esperado. A maçã está melhor que a pera e o caqui, mas isso não quer dizer que ela se adapte melhor ao clima de Lagarto, é mais uma questão de cuidado, dedicação que cada produtor dá ao seu plantio. São produtores diferentes para cada cultura e é esperada esta diferença”, comentou ele que trouxe os parceiros no projeto de transferência de tecnologia, demostrando os resultados parciais.

Diretor de Irrigação da Cohidro, João Quintiliano da Fonseca Neto, acompanha de perto estes resultados por meio da assistência que a Companhia Sergipana também dá ao projeto. “A novidade que o Paulo Roberto quis mostrar, aos representantes dos outros órgãos envolvidos neste experimento, é o resultado preliminar que prova a eficiência e o resultado das técnicas empregadas. Desde o transplante das mudas – que ocorreu de agosto há novembro de 2013 – até agora, em que os agricultores já se preparam para a colheita das frutas com volume de produção comercial – a partir do final do ano e início do próximo–confirmam ser possível produzir estas variedades, de clima temperado, também em Sergipe. Estes parceiros agora poderão usar o modelo implantado aqui em Lagarto para disseminar esta nova proposta de produção por todo Estado,fomentando com isso a diversificação de culturas em nossa agricultura,o que permite novas oportunidades de negócios aos agricultores”, comentou.

Mardoqueu Bodano, presidente da Cohidro, também compareceu à visita técnica e se diz “maravilhado” com o que os produtores, Embrapa e Cohidro estão desenvolvendo no Perímetro Piauí. “O que mais me deixa satisfeito é o fato de serem estes agricultores familiares os agraciados pela iniciativa. Os pequenos produtores irrigantes são o público alvo principal das ações da nossa Companhia e garantir a eles o pioneirismo no mercado interno de frutas, os primeiros a poder oferecer pera, caqui e maçã, será um incremento significativo na capacidade de geração de renda por meio do trabalho deles na própria terra”, comentou, também lembrando de agradecer ao empenho do senador Antônio Carlos Valadares, que em 2012 propôs a emenda parlamentar destinando R$ 300 mil para viabilização do projeto.


Fruticultores
Produtor orgânico de hortaliças, João Pacheco foi um dos agricultores inseridos no Perímetro Irrigado e escolhido para acolher, em seu lote, uma das plantações de caqui do projeto. Para ele a falta de familiaridade com a planta vem a ser a maior dificuldade enfrentada até agora. “A gente não conhece o desenvolvimento da planta, às vezes desanimo, tipo quando caem as folhas, mas ai elas rebrotam de novo e a gente fica novamente contente”, desabafou ele. Diz também que, segundo o agrônomo da Embrapa, está fazendo o manejo correto dos seus 500 caquizeiros. Seu pomar já deu frutos e agora passam por um período de recuperação para nova produção, conforme orientação técnica.

Técnico agrícola da Cohidro, William Domingos Silva é responsável por acompanhar diariamente os sete pomares em Lagarto. Para ele, as visitas da Embrapa e a viagem que fez à unidade Semiárido da Empresa em Petrolina-PE, fazem parte do aprendizado para entender o desenvolvimento das frutíferas, que até o início do projeto eram inéditas em Sergipe. “Este manejo tende a imitar o processo natural das plantas em seu habitat original que são as regiões de clima frio e temperado, onde as estações do ano são bem definidas. Diferente daqui, onde há pouca diferença no clima de uma estação para a outra, nisso entra a irrigação e o manejo adequado às nossas condições climáticas oferecendo às plantas condições ideais de produção,mesmo na nossa região,”explicou.
Jânio Gonçalves dos Santos é outro agricultor irrigante do Perímetro Piauí atendido pela assistência técnica do projeto por abrigar 1000 pés de pera, das variedades “hossui” e “packham’striumph”. Na visita do agrônomo Paulo Roberto da Embrapa, recebeu a orientação para a poda e amarração dos galhos das pereiras. Este manejo tende a formar pequenas árvores de copa larga, para abrigar mais frutos e também de estatura média, facilitando a colheita. “Uma coisa que a gente não conhece fica difícil de lidar sem este acompanhamento de um especialista. Por sorte William está sempre aqui dando assistência, ele como técnico da Cohidro pode nos orientar melhor”, comentou o produtor que plantou seu pomar em novembro de 2013 e foi orientado que, aos um ano e quatro meses, terá uma produção mais plena das frutíferas.

Satisfeito com a primeira colheita, o irrigante José Josemir de Souza tem um pomar com 1000 macieiras e já fez sua primeira colheita há 20 dias. “Aos 15 dias de plantadas, as mudas já começaram a produzir esporadicamente frutos pequenos, fomos até orientados a descartar para ajudar a planta se desenvolver melhor. Mas agora em agosto, menos de um ano de plantadas às mudas, o pomar deu uma produção impressionante, com frutas em tamanho comercial, próprias pra consumo em que eu tirei 15 baldes grandes de maçã”, comemora ele que diz que agora espera outra produção maior e mais consistente, depois da poda de suas macieiras das variedades "princesa” e “julieta”, como foi orientado a fazer nesta visita do agrônomo Paulo Roberto.

Gilvanete Teixeira, gerente do perímetro irrigado da Cohidro em Lagarto, é outra que tem comemorado os resultados obtidos pelos produtores inseridos no projeto. “Isso é só o começo. A previsão é para que no final do ano se colha uma safra que se aproxime às 35 toneladas, em cada um destes sete campos de duas tarefas (0,6hectares) destas frutas e em 2015, ao completar os dois anos, se espera o dobro disso”, informa ela que ainda comenta sobre outra vantagem do plantio das frutíferas. “Os irrigantes podem utilizar da mesma terra – e do sistema de irrigação fornecido pelo projeto – para plantar outras culturas no intervalo de três metros entre uma linha e outra de árvores, desde que elas não façam nenhum tipo de sombra. Aqui já foram experimentadas com sucesso as pimentas malagueta, biquinho, jalapeño e de cheiro; feijão-de-corda; tomate; couve-flor e até brócolis”.