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sábado, 6 de outubro de 2001

Jogo Sujo

Artigo publicado na Revista Alta Roda nº 56 de Outubro de 2001

Quem nunca jogou, que atire a primeira pedra. Seja na antiga Loto, Sena, Loteria Esportiva, jogo do bicho, apostas de brigas de galo, carteado ou nas inocentes roletas dos parques infantis. A jogatina esta aí. Solta. Faz parte do cotidiano. Difícil encontrar alguém que nunca tenha feito uma "fezinha" ou tentado a sorte nas diversas modalidades à disposição de todos, jovens, velhos e, infelizmente, crianças.

Mas sempre vem aquela pergunta: o jogo não é proibido no Brasil? Ao menos deveria ser. Só que o jogo proibido, me parece ser somente aquele que afetam pessoas de alto poder aquisitivo. Como os cassinos e as apostas esportivas. Pretendia-se proteger a sociedade destes males. Mas dá para notar que a proteção só abrange a "alta sociedade". O humilde trabalhador, aquele que trabalha de sol-a-sol, se vê tentado, diariamente, por uma imensa parafernália que lhe convida ao que a constituição prevê como crime. O pior é que a maioria destas formas de se jogar são mantidas ou autorizadas pelo poder público que fica com a maior parte do bolo. Aí vem a outra pergunta: quem é realmente o contraventor?

Recentemente surgiu em Goiás, e acredito que em outras partes do Brasil, uma diversidade de máquinas. Têm seu funcionamento autorizado pela Loteria Estadual e são carinhosamente chamadas dos mais diversos nomes. Mas que para mim, não passam de "caça-níqueis"! Aqueles mesmos que vemos na tela do cinema, instalados em luxuosos cassinos, aos quais são proibidos aqui. O que dói é saber que elas estão espalhas por todos os cantos, bares, lanchonetes e padarias. À vista e alcance de todos.
Acompanhamos cenas que trazem tristeza, crianças que se tornam viciadas facilmente naquela imundice que faz despreparadas mentes se renderem à luzes piscando e ao tilintar de moedas que parecem brotar do interior da maligna geringonça, perverso brinquedo que molda aquela personalidade, ainda em formação, para o que vai ser quando crescer, mais um otário. Também assistimos, facilmente, trabalhadores esgotarem até seu último centavo, naquelas diabólicas máquinas. Dinheiro este que, nesta pindaíba nacional que enfrentamos, poderia lhe ser útil de várias maneiras. Poderá, em um futuro bem próximo, fazer falta no almoço do filho deste mesmo trabalhador.

É certo que alguns vão querer dizer que a pessoa tem livre arbítrio a prática desta diversidade de jogos de azar, mas temos que ponderar a situação humilhante que é imposta a maioria de nossa população. A pobreza é geral! Gente que muitas vezes vê, como única solução o crime. Este crime que vos falo neste espaço está ali, ao alcance de todos, disposto a deixar muitos com nada e poucos com muito.
Já que tornou legal esta rede de arrancar dinheiro de quem não tem, aumentada pelos fabulosos Bingos, uma chatice sem tamanho que também tem como objetivo ludibriar quem não tem nada a perder, porque não tornar legal a abertura de cassinos no Brasil? Ora, todos sabemos que estas instituições são voltadas a pessoas de alto poder aquisitivo. Luxuosas instalações que dão milhares de empregos em outros países.

Temos, em nosso território, infindáveis regiões com potencial turístico que não fica devendo a nenhuma ilha caribenha. Pedaços de paraíso que às vezes precisam de pequenos impulsos econômicos para deslancharem e trazerem melhorias a sua população. Estas casas disponibilizam espaço para o mundo artístico. O que acontecia aqui, cerca de 60 anos atrás. Ícones de nossa arte, hoje populares, deram seus primeiros passos na música ou no teatro, em cassinos. Esta nação que jorra, para os quatro cantos, talento artístico.
Somos visitados por milhares de turistas todos anos. Estes, bamburrantes da riqueza do primeiro mundo, vem e deixam menos da metade do que se dispõem a gastar aqui. Poderiam gastar seu rico dinheirinho, como fazem em outros regiões de turismo, jogando. Acabam fazendo do turismo sexual, no meu ver, uma das maiores vergonhas nacionais, sua diversão. Prefiro mil vezes sermos chamados, lá fora, de "crupiês" invés de "putos". Ainda mais que o lucro, para todos, é bem maior!

Fala-se muito do jogo do bicho, prendem o chamado "bicheiro" para posarem de moralistas. Mas a verdade é que não querem gente ganhando sozinho. A mão do Estado tem que estar em tudo. Não consigo ver comparação entre este e os jogos legalizados. Os assistidos por nossos governantes são muito mais impiedosos e usufruem de apelação da mídia em seu favor, eles já tem seu próprio Jogo do Bicho, mas querem classificar este jogo "povão" como vergonha ao país, atividade que já faz parte de nossa cultura, supre os anseios dos sonhos populares, um dos poucos direitos que ainda nos deixam ter.
Vergonhoso é nosso governo sustentar um sistema que falsamente promete milhões para quem não tem nada, como é o caso das loterias federais, estas, pagam em prêmio, quando existe ganhador, 40% do dinheiro arrecadado. Para onde vai o resto?! Alguém viu? É decepcionante saber que os homens que elegemos, de dois em dois anos, nutrem seus próprios bolsos, com o a maioria do lucro desta jogatina legalizada. Ouro de tolo. Conversa para boi dormir, deitado em berço esplendido, de olhos e ouvidos tampados ao que se planeja na calada da noite, o roubo geral e irrestrito de uma nação inteira, todo santo dia.

terça-feira, 7 de agosto de 2001

PM apreende 195 quilos de maconha


Seguindo pistas levantadas há vários dias, confirmadas através de denúncia anônima, o Grupo de Patrulhamento Tático (GPT) e o Serviço de Inteligência, ambos do 2º  Batalhão da Polícia Militar, em Rio Verde, montaram operação conjunta para realizar uma grande apreensão de maconha no último dia 23, Quinta feira.


Foram 195 quilos de maconha encontrados por volta das 8 horas da manhã, uma parte, cerca de 70 quilos, escondida em um ônibus, no Jardim das Margaridas. Outra, 50 quilos, já teria sido descarregada em uma loja do Centro Comercial Camelódromo de Rio Verde, o restante estava em um veículo Fiat Uno que seguia destino não informado.


Segundo o Sargento Ronaldo, do GPT, integrante da operação, deixou-se que todos os demais passageiros que vinha do Paraguai, desembarcassem, para que só restassem os reais culpados pelo crime de tráfico no ônibus, dentre eles, o próprio motorista. A quadrilha que trouxe a droga era formada por 7 integrantes, destes, duas menores. O nome dos membros da quadrilha não foi revelado, na intenção de não interferir nas investigações policiais.



A origem da maioria dos integrantes era de Rio Verde, outros vinham de Foz do Iguaçu. Por se tratar de tráfico internacional de drogas, todos foram enviados à delegacia da Polícia Federal em Jataí, onde foram autuados, sob a disposição da justiça e responderão pelos crimes de contrabando e tráfico de narcóticos. 


No mesmo ônibus, foram presos dois indivíduos trazendo, também do Paraguai, 45 caixas, cerca de 22,5 mil maços de cigarro contrabandeado. Estes, segundo a Polícia Militar, não possuem ligação com a quadrilha que trazia a maconha e responderão judicialmente somente pelo crime de contrabando.

“Rio Verde funciona como um ponto base, é descarregado aqui e redistribuído pela região, Montividiu, Santa Helena e até Goiânia”, explicou o Sargento Ronaldo em relação ao destino da droga apreendida. Também nos disse que após passar a fronteira entre Ciudad del Este e Foz do Iguaçu, a maconha é embarcada nestes ônibus que geralmente levam os “sacoleiros” e suas compras feitas no Paraguai.

Esta e outras audaciosas realizações da Polícia Militar de Rio Verde se devem em parte ao novo comando do coronel Marco Aurélio Alves de Araújo, que entre várias mudanças, reestruturou o Serviço de Inteligência da corporação e equipou o GPT, antigo GOE. Devemos nossos parabéns ao coronel Antônio Alves pelo bom trabalho, sem deixar de agradecer aos soldados Messias, Erli, Caetano, o cabo Oliveira e os sargentos Ubiratã e Ronaldo, grupo que atuou na operação.


Fernando Augusto

Publicado na edição nº657, no Caderno 1, página 10 - Folha do Sudoeste

(um dia eu scanneio as fotos e posto aqui, hoje não rs)

quarta-feira, 20 de junho de 2001

Revista Society nº 12

No ano de 1999, ingressei na diagramação de revistas na Society, antes, Green River Society. Numa primeira fase, elaborei da edição nº 2 até a 13, em outra fase, pós o falecimento do editor-fundador Wellington Tibeira, trabalhei nas edições nº 16 e 17.


Atuava na formatação das páginas, tratamento, efeitos e scanner de imagens; na criação de anúncios e elaboração do projeto gráfico.

A logomarca-título atual é de minha autoria.


Os softwares utilizados eram o Corel Draw, Photoshop e Photo-paint.

A Society era produzida na cidade de Rio Verde, Goiás, mas era distribuída em todo Estado. Importante também citar que inicialmente, a revista tinham em seu miolo páginas preto e branco, exceto páginas centrais, só posteriormente ganharam colorido.

sábado, 2 de junho de 2001

Revista Alta Roda nº 55

Em 1999, passo a integrar a equipe da revista Alta Roda, onde trabalhei na programação visual da edição nº 48 à 57.

Atuava na formatação das páginas, tratamento, efeitos e scanner de imagens; na criação de anúncios e elaboração do projeto gráfico.

A logomarca-título atual é de minha autoria. Também fui colaborador de conteúdo da publicação produzindo artigos jornalísticos.

Os softwares utilizados eram o Corel Draw, Photoshop e Photo-paint.

A Alta Roda era produzida na cidade de Rio Verde, Goiás, mas era distribuída em todo Estado.

Importante também citar que inicialmente, a revista tinham em seu miolo páginas preto e branco, exceto páginas centrais, só posteriormente ganharam colorido.

domingo, 4 de março de 2001

Rio Verde, futurista ou futurosa?

Artigo de minha autoria publicado na revista Alta Roda de jan/01.


Hoje, quem anda pelas ruas, chega a conclusão de que Rio Verde é uma cidade extremamente poluída, não me refiro ao desleixo de seus moradores ao sujarem suas ruas, calçadas, praças e terrenos baldios; nem das indústrias já instaladas, recém chegadas ou não, preparadas para indisporem nosso ar e água, muito menos da poluição visual, com seus "out-doors" desordenados e a pulverização de cartazes para divulgação de "festas de garagem".

Direciono-me para a mais aberrante poluição da "Cidade das Abóboras", a poluição sonora. Todos os dias, durante o horário comercial, a cidade é infestada por veículos de propaganda volante, os quais, de forma deliberada e sem controle ou fiscalização, entopem nossos ouvidos a decibéis ensurdecedores, desrespeitando escolas, hospitais, prédios públicos, enfim o direito à paz de cada cidadão.

O comerciante adere a publicidade volante para garantir seu aumento de vendas, mas inconscientemente está trazendo aborrecimentos ao seu cliente em potencial e até à si próprio, pois a invasão de privacidade provocada pelo insuportável barulho acaba causando aversão das pessoas ao método de divulgação e, indiretamente, ao próprio estabelecimento divulgado. Nesta busca impensável pelo lucro, as empresas não se dão ao trabalho de examinar qual será seu público alvo ao investir em publicidade.

A ganância e inexistência do planejamento de marketing, direciona-os ao método de menor custo, custo este que é baixo pela saturação de "empresas" que fazem a propaganda volante no mercado. Torna-se satisfatório ao empresário ouvir o nome de sua empresa sendo divulgado aos quatro ventos nas ruas, mas a incerteza no retorno do investimento é visível.

Nossos políticos, durante suas caras campanhas, aderem a este irritante filão para atormentar a vida de seu eleitor, chega-se a equipar bicicletas para tal função, parece uma constante lavagem cerebral, a persistência querendo vencer a indignação da população esquecida em outras ocasiões.

Tal situação indefine a classificação do município, pequena e provinciana cidade do interior, onde se é comum a defasagem dos meios de produção ou a cidade em franco desenvolvimento industrial predestinada a se tornar metrópole. Triste dúvida quando levado em consideração o assunto aqui em questão, pois por um lado pequenas cidades são em seu contexto tranqüilas e discretas, e grandes cidades costumam extinguir métodos ultrapassados em sua grande maioria, a enxada pela colheitadeira, a carroça pelo automóvel. Diante deste quadro é impossível considerarmos a modernidade em Rio Verde como coisa do presente.

O leque de mídias para divulgação em Rio Verde é grande: jornais, revistas, rádios, televisão e a recentemente chegada internet. É inadmissível que tão arcaico e prejudicial ao meio seja o mais popular entre o empresariado local, despreparo da empresa diante do mercado? Não é só isso, é preciso que o cidadão que se sinta importunado verbalize sua insatisfação, reclame ao estabelecimento de preferência, sua discordância ao seu meio de propaganda usado por ele, ou até boicote a empresa que, indiretamente, está importunando sua vida, o seu sossego.

Somado a este caos, ainda temos a parcela de culpa das agências de mensagens ao vivo, modalidade que virou febre na cidade, independente de hora e local, são causadores de minutos somente bem vindos aos ouvidos de quem as recebe. A parafernália sonora é, na maioria das vezes, mais potente do que a da propaganda volante.

Durante a noite, ainda podemos esperar por algo tão aterrorizante quanto os tormentos antes mencionados, são os veículos particulares muito bem equipados no que se refere a barulho, que passeiam pela cidade sem deixar dúvida de sua presença. Estes estrondosos dispositivos somados aos escapamentos desregrados de ônibus, caminhões, automóveis e, principalmente, motocicletas, dão o ritmo para que nosso bem estar auditivo dance, na maestria desta incomoda sinfonia, as pessoas esquecidas de que "o direito de cada um termina quando se começa o dos outros".