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domingo, 4 de março de 2001

Rio Verde, futurista ou futurosa?

Artigo de minha autoria publicado na revista Alta Roda de jan/01.


Hoje, quem anda pelas ruas, chega a conclusão de que Rio Verde é uma cidade extremamente poluída, não me refiro ao desleixo de seus moradores ao sujarem suas ruas, calçadas, praças e terrenos baldios; nem das indústrias já instaladas, recém chegadas ou não, preparadas para indisporem nosso ar e água, muito menos da poluição visual, com seus "out-doors" desordenados e a pulverização de cartazes para divulgação de "festas de garagem".

Direciono-me para a mais aberrante poluição da "Cidade das Abóboras", a poluição sonora. Todos os dias, durante o horário comercial, a cidade é infestada por veículos de propaganda volante, os quais, de forma deliberada e sem controle ou fiscalização, entopem nossos ouvidos a decibéis ensurdecedores, desrespeitando escolas, hospitais, prédios públicos, enfim o direito à paz de cada cidadão.

O comerciante adere a publicidade volante para garantir seu aumento de vendas, mas inconscientemente está trazendo aborrecimentos ao seu cliente em potencial e até à si próprio, pois a invasão de privacidade provocada pelo insuportável barulho acaba causando aversão das pessoas ao método de divulgação e, indiretamente, ao próprio estabelecimento divulgado. Nesta busca impensável pelo lucro, as empresas não se dão ao trabalho de examinar qual será seu público alvo ao investir em publicidade.

A ganância e inexistência do planejamento de marketing, direciona-os ao método de menor custo, custo este que é baixo pela saturação de "empresas" que fazem a propaganda volante no mercado. Torna-se satisfatório ao empresário ouvir o nome de sua empresa sendo divulgado aos quatro ventos nas ruas, mas a incerteza no retorno do investimento é visível.

Nossos políticos, durante suas caras campanhas, aderem a este irritante filão para atormentar a vida de seu eleitor, chega-se a equipar bicicletas para tal função, parece uma constante lavagem cerebral, a persistência querendo vencer a indignação da população esquecida em outras ocasiões.

Tal situação indefine a classificação do município, pequena e provinciana cidade do interior, onde se é comum a defasagem dos meios de produção ou a cidade em franco desenvolvimento industrial predestinada a se tornar metrópole. Triste dúvida quando levado em consideração o assunto aqui em questão, pois por um lado pequenas cidades são em seu contexto tranqüilas e discretas, e grandes cidades costumam extinguir métodos ultrapassados em sua grande maioria, a enxada pela colheitadeira, a carroça pelo automóvel. Diante deste quadro é impossível considerarmos a modernidade em Rio Verde como coisa do presente.

O leque de mídias para divulgação em Rio Verde é grande: jornais, revistas, rádios, televisão e a recentemente chegada internet. É inadmissível que tão arcaico e prejudicial ao meio seja o mais popular entre o empresariado local, despreparo da empresa diante do mercado? Não é só isso, é preciso que o cidadão que se sinta importunado verbalize sua insatisfação, reclame ao estabelecimento de preferência, sua discordância ao seu meio de propaganda usado por ele, ou até boicote a empresa que, indiretamente, está importunando sua vida, o seu sossego.

Somado a este caos, ainda temos a parcela de culpa das agências de mensagens ao vivo, modalidade que virou febre na cidade, independente de hora e local, são causadores de minutos somente bem vindos aos ouvidos de quem as recebe. A parafernália sonora é, na maioria das vezes, mais potente do que a da propaganda volante.

Durante a noite, ainda podemos esperar por algo tão aterrorizante quanto os tormentos antes mencionados, são os veículos particulares muito bem equipados no que se refere a barulho, que passeiam pela cidade sem deixar dúvida de sua presença. Estes estrondosos dispositivos somados aos escapamentos desregrados de ônibus, caminhões, automóveis e, principalmente, motocicletas, dão o ritmo para que nosso bem estar auditivo dance, na maestria desta incomoda sinfonia, as pessoas esquecidas de que "o direito de cada um termina quando se começa o dos outros".