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quarta-feira, 5 de outubro de 2005

Celulares, porque tê-los?

Texto para a disciplina Língua Portuguesa I, do I Período de Jornalismo da UNIT
Demorei a aderir ao apelo consumista da telefonia móvel. Ter um celular, para mim, durante muito tempo, era uma coisa que não me instigava ou preocupava, ao ponto de chegar a dizer que seja artigo de primeira necessidade, ou então acreditar piamente, como muitos, não conseguir viver sem ter um.

Durante muito tempo via todos meus amigos e contatos profissionais carregarem, para cima e para baixo, seus “monstrinhos tiradores de sossego”. Era incrível o grau de estresse que eu via a geringonça diminuta causar nas pessoas. Nas horas mais importunas ele tocava, vindo, do outro lado da linha, quase sempre assuntos fúteis, que poderiam ser adiados para mais tarde e resolvidos através de uma ligação para um telefone fixo, pagando menos.

Muitas eram as histórias que eu ouvia, relatando que quando realmente os aparelhos celulares eram necessários, no caso de alguma emergência, eles quase sempre estavam fora de área de cobertura ou então encontrava-se com suas baterias descarregadas. Para mim, que não tinha um, se tornava um motivo para zombar dos amigos durante as conversas de bar.

Não que eu seja uma pessoa conservadora, retrograda, quando o celular surgiu, por exemplo, eu já mantivera um contato freqüente com o mundo da informática, no auge da sua proliferação, o computador era ferramenta de trabalho principal em minha profissão e me encontrava tomado, fascinado pela Internet, seus e-mail e URLs. Porem era muito contraditório, para mim, optar por ter comigo algo que iria interferir na minha liberdade ao ponto de nunca mais poder isolar-me do mundo e dos problemas que ele me encarregava de resolver. A idéia de pagar para ser vigiado, rastreado, sondado durante o tempo todo, não importando onde eu estivesse, realmente não me convencia.

Na minha opinião, é no mínimo falso o conceito de poder “puxar a tomada” e livrar-me do perverso domínio da máquina por um tempo. Parece coisa de filme de ficção científica, mas desligar-se da “Matrix”, significa ignorar a existência de família, filhos, amores ou contatos profissionais, a dependência torna-se grande, seria necessário muito sangue frio para tomar tal atitude. Eu, que nunca fui muito bom no que se refere a controlar as emoções, tendo sido criado sob os calorosos costumes italianos, seria presa fácil da dominação desta tecnologia maquiavélica.

Ignorei, resisti, me contrapus aos apelos e fascínios da propaganda e só foi há cerca de 2 anos atrás que fui adquirir meu primeiro aparelho. Ultrapassado, pois a localidade geográfica onde comprei, no Tocantins, ainda tinha este tipo de serviço operando com a tecnologia antiga, o modelo, o mais “chulé” que tinha na loja, realmente, nunca foi minha intenção ter um celular por status, isso sempre me causou nojo. Não queria também satisfazer alguma sede consumista, simplesmente se tornou necessário ter um contato telefônico, ainda mais estando eu impossibilitado, devido a alguns desleixos do passado, de solicitar uma linha telefônica fixa na época.

É claro que o fato de ter este número de contato me acompanhando para todos os lugares, também ajudava, já que na época me empenhava em trabalhar como free-lance tento que fazer várias visitas aos clientes.

Aos poucos, fui baixando a guarda, hoje já estou no segundo aparelho, agora não mais dependendo de cartões para poder ligar, porem, meu conceito continua o mesmo, a dominação e a dependência são grandes. Ganhei um aliado sim, o celular já me quebrou muitos galhos, porem, me trouxe alguns problemas, causou confusões e ainda, para meu desespero, encurtou bastante meu dinheiro, tão suado, no final do mês.