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quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Porta-voz de coisa ruim

Texto de descrição de tipo para disciplina "Língua Portuguêsa III"

Já parou para se perguntar por quê notícia ruim chega tão depressa? Do porquê deste ditado ser tão legítimo? Não há como negar que todo mundo, seja poucas ou muitas vezes na vida, fez o papel de homem-bomba, de divulgar o que não é tão bem recebido aos ouvidos comuns, mas existe um peculiar tipo de pessoa que parece sentir prazer de receber estas notícias tanto quanto em disseminar a informação para todos que lhe derem um tostão de prosa.

Eles estão em todo lugar, seja no ônibus, em pé, pendurado ao seu lado, pronto para deixar a sua viagem e a dor nas pernas ainda mais angustiante, ou então no seu trabalho, dispostos a atrapalhar sua concentração, ao ponto de querer fazer parte da fatídica história que lhe está contando, por que melhor estaria em casa, de atestado médico, bem longe dele. Além de companheiros de viagem e de colegas de trabalho, podem ser também taxistas, faxineiras, zeladores de prédio ou pedreiros, todos aqueles para quem é só dar assunto e pronto! Está armada a tenda do espetáculo de Sexta-feira 13.

Estes indivíduos, que exercem esta função social nefasta, são difíceis de serem divididos por classes, já que, normalmente, estão aptos a profanar nossa mente com os mais variados desastres, não estão muito interessados em seguir um estilo próprio de divulgar suas macabras informações, que se entrelaçam, formatando o perfil destas pessoas que nem sempre são más, mas possuem um don de tornar desagradável qualquer papo, seja no botequim ou nos bate-papos da Internet.

Os temas propostos e dissecados com destreza, por estas pessoas, são os mais diversos, tem os que adoram falar de acidentes automobilísticos, nos trazem, em primeira mão, as notícias com o sangue ainda quente, claro, jorrado pelo asfalto, escorrendo feito água da fonte da imaginação sádica, ao chamar a atenção dos que lhe rodeiam com a desgraça alheia, sempre aumentando um pouquinho aqui, fantasiando acolá, fazendo suposições improváveis de como tudo aconteceu, pois o que querem, com este sensacionalismo, é IBOPE.

Violência é outro tema adorado por este tipo de gente, assaltos que se transformam em homicídios, briga de casal que acaba em facada, estupros que envolvam menores de idade ou então rixa entre famílias que acabam, literalmente, na bala. Possuem, para eles, a sorte de sempre estarem lá, como testemunhas oculares do fato, vêem tudo e sabem de tudo, quase sempre conhecem tanto o criminoso quanto a vítima, mas o que mais causa indignação, é o fato de que esta perfeita descrição, com esta tamanha destreza que chega aos nosso ouvidos, quase nunca vai parar nos relatórios policiais, não se prestam a cooperar com o trabalho da já muito pouco interessada classe, que tem pouquíssima estrutura para poder punir os culpados. Nesses casos, muito comuns em nossa sociedade, deixam de ser meros fofoqueiros e passam ser, desta vez, porta-vozes da impunidade, pois calam-se quando mais precisam usar sua língua afiada.

E como, para nossos porta-vozes do sinistro, desgraça pouca é bobagem, ainda há outro assunto chato que eles têm na ponta da língua coçante, este chega causar náuseas aos ouvintes, são os problemas de saúde. O corriqueiro é dizer que para todo mal existe uma cura, já para eles, todo mal existe um exemplo nefasto, sempre existe um pai da namorada do primo de segundo grau que teve o mesmo problema que você tem e acabou morrendo. Noutras vezes, do nada, aparece, sabe-se lá como (a gente nunca sabe), numa conversa, a notícia de que a tia-avó de 97 anos desta pessoa, a quem você nunca viu mais gorda, está acamada, prestes a morrer por um problema que pasmem: ninguém da família imagina como chegou acontecer. “...ela estava bem até um dias destes...”.

Porem, o pior ainda está por vir, pois quando o assunto tem haver com a própria pessoa, sai de baixo! Sua solidariedade de ouvinte e amigo vai para às cucuias tão rapidamente quanto a velocidade em que as palavras saem pela boca de nossos porta-vozes da própria desgraça. Além da outra parte ser sempre a culpada, quando se trata de acidentes e brigas, o detalhamento dos fatos é de deixar Gil Gomes acanhado. Você, como paciente ouvinte, jamais irá tirar a razão da vítima a sua frente, ouse e será amaldiçoado, pelo resto da vida, como amigo da onça! Crimes em que eles são vítimas? Há de se sentir compaixão, afinal, ninguém quer passar pelo mesmo, mas a paciência logo estoura diante da choradeira que é só dele, pois ninguém jamais passou ou vai passar por experiência tão traumatizante quanto à que passou. Por fim, se a saúde deste indivíduo vai mal, prepare o lenço e, se for possível, ligue para floricultura e encomende desde já a coroa de flores, pois vão estar sempre morrendo, doenças que você nunca ouviu falar e com os mais nojentos sintomas você vai passar a conhecer e de toda ficha médica dele você vai saber, deste a unha encravada de 82, até o tropeção na calçada do mês passado. Doente, debilitado, acamado e com o pé na cova, mas a saliva, ah, esta, infelizmente, nunca seca!

E você? Será que não se identificou com alguns dos casos? Se a resposta for sim, eu sinto muito, tenho uma péssima notícia para lhe dar, desculpe-me o pessimismo, mas você é um porta-voz de coisa ruim.

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Sonho

As vezes me pego rabiscando no Corel uns lances que vem na cabeça que parecem ter vindo não sei de onde, mas, como neste caso, quando termino, se tornam interessantes as sandices ao ponto de mostrar aqui.

Trata-se do meu “Bus Office Home”, meu “buzão-cafofo-trampo”, para os menos afeiçoados a língua do Tio San. Quase todo mundo, um dia, faz um rascunho, um raff do projeto da casa dos seus sonhos, tái o meu...

Porque não sobre rodas? Já é minha sina mudar-me de tempo em tempo para diversos lugares do país mesmo, coisa de sangue cigano quem sabe. Já estou habituado com mudanças de ares, só não consigo me habitar com o empacota e carrega, isto sim é triste! Eis que criei a solução.

Olho para este monte de traços e fico pensando o quanto seria prazeroso uma vida nômade sobre rodas sem se preocupar com mudanças, levando só o necessário e a mão. Podendo trabalhar um pouco em cada lugar, de praia em praia, conhecendo mais deste Brasilsão (quiçá outros países).

Sei que é algo caro, já me baseei em custos, mas “sonhar não custa nada”, como dizia o samba enredo da Mocidade. Tecnologia para por em prática já temos...

domingo, 5 de novembro de 2006

Ferrovias - Qual é o porquê do abandono?

Comentário no Orkut sobre o abandono das ferrovias brasileiras feito em 23/08/2006, as 16:28

Também não trabalho com ferrovias, nem nunca trabalhei, mas acho que pelo fato de ter sido criado em Santa Maria, o maior entroncamento ferroviário do Rio Grande, me faz ter uma grande e saudosa familiaridade pelos trens, pelas viagens que ainda nos anos 80 traziam emocionantes lembranças, indo para Porto Alegre, via trem Ungaro, de madrugada.

Quem consegue me explicar o porquê de um transporte barato, menos poluente e que pode transportar gente e carga ao mesmo tempo não emplaca no Brasil?

O Japão sabe de sua importância e investe até em trem bala, os Estados Unidos é todo interligado ainda sendo um país de topografia muito mais irregular do que a nossa. Na Europa, é possível viajar por todos os países via ferrovias, existe o projeto do Suiss Train (subterrâneo, em túneis de vácuo para diminuir a resistência ao ar e ter um consumo de combustível, por turbinas, econômico) e as pesquisas com o maglev (trem suspenso pela força de repulsão dos imãs elétricos) continuam e já existe um protótipo funcionando.

O Brasil tem tudo! Regiões longínquas uma das outras, devido nosso tamanho continental,onde se produz de tudo e se tem gente e carga para se transportar de um canto a outro. Temos uma topografia favorável as ferrovias, pois não possuímos grandes montanhas para serem desbravadas pelos trilhos, temos matéria prima para eles também.

Mas o que se vê é o descaso, o que existe está abandonado ou muito pouco explorado pelas concessionárias que não fazem investimento nenhum. Por outro lado, nossa malha viária é péssima, buracos e estradas que não vêem a recuperação desde sua construção, que também não é recente, na grande maioria delas. Todas as mazelas das rodovias são transferidas aos nossos bolsos pelo elevado custo de transporte dos bens de consumo. Sem falar que viajar no Brasil é extremamente caro e desgastante, a nossa liberdade de ir e vir é ferida pelo abuso dos coronéis do transporte, quase sempre ligados ao setor político, em fim, o que está pegando?

Seria o fato de os poderosos temerem o levante de uma classe unida pelos trilhos e forte o bastante para impor através de sua organização? Uma greve de ferroviários em um país que dependa com prioridade deste transporte forçaria aos governantes ceder.

Poderia ter sido a pressão das montadoras multinacionais que se instalaram no país desde a metade do século passado, impondo o investimento em rodovias e o desleixo aos trens, em troca de seu capital financeiro.

Seria culpa da Petrobras que tem seus lucros astronômicos ligados ao grande e acelerado consumo de combustível interno? Será que para torna-la uma multinacional, não acharam que seria necessário sacrificar as ferrovias em prol desperdiço nas estradas e que a fez crescer? Isso sem falar do gigantesco investimento em massa asfáltica que se fez, e que ainda tem que ser feito, no país e que tem como matéria prima principal o petróleo.

Ou ainda ser o fato dos políticos acreditarem que trilhos não dão votos e bom serviço gera satisfação e menos mazelas para serem exploradas por eles. Afinal, desenvolvimento econômico e um povo soberano, numa sociedade igualitária, expurga a cafagestagem que passa a depender muito mais do seu povo que, como está, tem seu valor invertido, ou seja, a massa miserável é que depende da atenção da corja.

Infelizmente, o Brasil não é um país sério, não somos providos do bom senso e certamente, não somos nós que decidimos o que deve ser certo ou errado, mesmo que tudo aponte para o rumo contrário ao que é seguindo pela nação.