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domingo, 5 de novembro de 2006

Ferrovias - Qual é o porquê do abandono?

Comentário no Orkut sobre o abandono das ferrovias brasileiras feito em 23/08/2006, as 16:28

Também não trabalho com ferrovias, nem nunca trabalhei, mas acho que pelo fato de ter sido criado em Santa Maria, o maior entroncamento ferroviário do Rio Grande, me faz ter uma grande e saudosa familiaridade pelos trens, pelas viagens que ainda nos anos 80 traziam emocionantes lembranças, indo para Porto Alegre, via trem Ungaro, de madrugada.

Quem consegue me explicar o porquê de um transporte barato, menos poluente e que pode transportar gente e carga ao mesmo tempo não emplaca no Brasil?

O Japão sabe de sua importância e investe até em trem bala, os Estados Unidos é todo interligado ainda sendo um país de topografia muito mais irregular do que a nossa. Na Europa, é possível viajar por todos os países via ferrovias, existe o projeto do Suiss Train (subterrâneo, em túneis de vácuo para diminuir a resistência ao ar e ter um consumo de combustível, por turbinas, econômico) e as pesquisas com o maglev (trem suspenso pela força de repulsão dos imãs elétricos) continuam e já existe um protótipo funcionando.

O Brasil tem tudo! Regiões longínquas uma das outras, devido nosso tamanho continental,onde se produz de tudo e se tem gente e carga para se transportar de um canto a outro. Temos uma topografia favorável as ferrovias, pois não possuímos grandes montanhas para serem desbravadas pelos trilhos, temos matéria prima para eles também.

Mas o que se vê é o descaso, o que existe está abandonado ou muito pouco explorado pelas concessionárias que não fazem investimento nenhum. Por outro lado, nossa malha viária é péssima, buracos e estradas que não vêem a recuperação desde sua construção, que também não é recente, na grande maioria delas. Todas as mazelas das rodovias são transferidas aos nossos bolsos pelo elevado custo de transporte dos bens de consumo. Sem falar que viajar no Brasil é extremamente caro e desgastante, a nossa liberdade de ir e vir é ferida pelo abuso dos coronéis do transporte, quase sempre ligados ao setor político, em fim, o que está pegando?

Seria o fato de os poderosos temerem o levante de uma classe unida pelos trilhos e forte o bastante para impor através de sua organização? Uma greve de ferroviários em um país que dependa com prioridade deste transporte forçaria aos governantes ceder.

Poderia ter sido a pressão das montadoras multinacionais que se instalaram no país desde a metade do século passado, impondo o investimento em rodovias e o desleixo aos trens, em troca de seu capital financeiro.

Seria culpa da Petrobras que tem seus lucros astronômicos ligados ao grande e acelerado consumo de combustível interno? Será que para torna-la uma multinacional, não acharam que seria necessário sacrificar as ferrovias em prol desperdiço nas estradas e que a fez crescer? Isso sem falar do gigantesco investimento em massa asfáltica que se fez, e que ainda tem que ser feito, no país e que tem como matéria prima principal o petróleo.

Ou ainda ser o fato dos políticos acreditarem que trilhos não dão votos e bom serviço gera satisfação e menos mazelas para serem exploradas por eles. Afinal, desenvolvimento econômico e um povo soberano, numa sociedade igualitária, expurga a cafagestagem que passa a depender muito mais do seu povo que, como está, tem seu valor invertido, ou seja, a massa miserável é que depende da atenção da corja.

Infelizmente, o Brasil não é um país sério, não somos providos do bom senso e certamente, não somos nós que decidimos o que deve ser certo ou errado, mesmo que tudo aponte para o rumo contrário ao que é seguindo pela nação.

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