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segunda-feira, 5 de setembro de 2005

Meu texto

Texto de apresentação pessoal para a disciplina Língua Portuguesa I, do I Período de Jornalismo da UNIT

Oi, eu sou o texto do Fernando. Alguns podem me tratar como “a habilidade de escrita”, ou, quem sabe, “o talento do autor para escrever”, não importa. Estou aqui para contar um pouco de mim, através desta apresentação pessoal que peguei emprestada do meu dono, já que ele andava, ultimamente, meio confuso quanto ao que dizer de si.

Tenho que confessar, eu estava para vir até vocês em outras duas versões anteriores. Na primeira, muito radical, com ideais controversos e um discurso polêmico, melhor nem contar. Na segunda, estava calmo, sereno, infantil, com poucas pitadas de agressividade, nem parecia meu autor escrevendo, chegava a dar sono.

Não sei bem ao certo quando eu surgi, mas, posso afirmar que minha apresentação oficial foi na sétima série, num pequeno livro de versos intitulado “O Bicho Brasil”. Eu estava lá de uma forma o tanto quanto rebelde, cheio de duras críticas à colonização lusitana e os prejuízos deixados aos povos indígenas, fui escolhido entre os melhores do colégio naquele ano.

A inspiração, de onde vim, nem sei, acredito que das páginas do Pasquim, das letras de Renato Russo ou então dos manifestos vermelhos do política estudantil, lugar em que posteriormente apareci, sem muito proveito, já que eram palavras jogadas ao léu. Este tipo de movimento, embora já tenha maioridade, ainda está muito pouco amadurecido na cabeça dos jovens, uma grande perda de tempo, pois o estudante, com sua vergonhosa dedicação a escola, é tão cúmplice das injustiças na educação, quanto os nossos “fazedores” de leis em Brasília.

Mas sem perder o gosto amargo da indignação, voltei a aparecer em artigos que falavam de comportamento, cultura e política, em páginas de revistas de baixa circulação, mas de apelo visual invejável, dava até gosto de recheá-las. Claro, era também meu autor que as diagramava. Em outros momentos, nestas mesmas revistas, como de brincadeira, eu dava o ar da graça nas colunas sociais, assinado como sendo de outros autores, estes sim, colunistas, com toda sua pompa e glamour.

De tanto aparecer, aqui e ali, eu passei a ser mais valorizado, até mesmo financeiramente. Quer dizer, só um pouquinho, dá pra imaginar o que alguém não-formado ganha para fazer coberturas jornalísticas e entrevistas para um pequeno jornal quinzenal, do interiorzão de Goiás? Mas valeu a pena, ganhei dinamismo, tive que aprender a lidar com prazos e as correrias de fechamento. Fazendo tudo sendo, a todo o momento, atropelado pela minha vizinha, a criatividade para o design do meu autor, pois ele continuava a diagramar, criar logomarcas e impressos.

Mas, nesta ainda pequena trajetória, também passei por momentos sombrios. Depois de aparecer num ridículo jornal do interior do Tocantins, tive que dividir as colunas com outros textos medíocres, com o único intuito de bajular políticos corruptos e manchar a reputação dos seus opositores. Eu também tive que me adaptar a esta nova pauta. Sinceramente, senti-me prostituído naquelas páginas, ainda bem que foi por pouquíssimo tempo, entretanto, me deixaram marcas.

Hoje, ando meio deprimido, recluso a poucas linhas em sites da internet, para florear o agora “webdesign” do autor, ou então para expor seu pensamento marginalizado, em espaços não ligados a sua profissão. Mas vejo uma luz, “alguém” tomou decência, vergonha na cara e entrou no curso de jornalismo, finalmente! Agora acho que vou tomar forma, corrigir meus vícios e, quem sabe, me tornar um texto adulto, evoluído, mais preparado para as páginas da vida.

Um comentário:

Denise Dória disse...

Há tantos jornalistas, escritores e aspirantes ao mundo das letras que caçam com furor aquilo que você mostra ainda desconfiado... Essa sua espontaneidade de estilo e talento é rara, Fernando. Você consegue fazer com que "Não se mostre na fábrica o suplício
Do mestre. E, natural, o efeito agrade,
Sem lembrar os andaimes do edifício" , de modo como nos aconselha o mestre das formas.
Talvez você me considere suspeita para opinar, mas um certo juramento que fiz antes de receber meu canudo letrado me orienta a ser criticamente sincera, como já deve ter observado.
E é com toda a sinceridade que digo: as letras deixadas em seu rastro ainda vão apontar caminhos... Aguardemos.