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quarta-feira, 16 de maio de 2007

Mestres no saber enrolar

Trabalhando no setor de edição de provas de um colégio é que você vê o quanto professor é bicho matreiro. Mesmo eu sendo casado com uma, tenho q tirar o chapéu para alguns espécimes raros desta fauna docente.

Dá até para entender que ganham mal, que se esforçam dando aula numa porrada de colégios para complementar a renda, mas na hora de aplicar com a esperteza, sem sombra de dúvida, professor usa a esperteza que não teve ao escolher sua profissão.

São provedores de alguns golpes, macetes, artimanhas boladas, às vezes de última hora, para satisfazer as cobranças dos coordenadores mais enraivados, vejamos alguns dos golpes aplicados por eles na hora de entregar o seu material, aquele que nem está pronto:

Golpe do disquete virgem
Após ter sido cobrado pela décima vez, na véspera da prova, o professor desesperado, fala ao coordenador que está com o material pronto, em um disquete e que irá entregá-lo aos “caras do CPD”. Porem, ardilosamente, se dirige à loja de informática mais próxima (tem mais que boteco hoje) e adquire um disquete novo (os mais moderninhos compram logo um CD). Nisso, entregam no setor de edição o dito cujo, rabiscado com a inscrição ao que se refere o conteúdo do disco, ou seja, a dita cuja da prova, que deveria estar lá, ele jura que sim, o técnico diz que o disco está vazio.

Após xingar Bill Gates, usa como desculpa a possível falha do programa para ganhar mais um tempo, a última chance ou suspiro para digitar sua prova. Por se sentir injustiçado, ao praguejar que é perseguido pelas famigeradas máquinas, ainda pede a coordenação de seu curso para que lhe cedam um destes malditos microcomputadores para que possa fazer seu trabalho atrasado. Nisso, é capaz de usar o equipamento também para acessar seu Orkut e teclar com a gatinha que conheceu na madrugada anterior pelo MSN.

Golpe do arquivo em branco
este é dos que tem preguiça de ajeitar os arquivos e compor uma prova, salva arquivos de provas disponibilizados na Internet, de algum site que promete te passar no vestibular com suas dicas. Ele chega com um CD gravado, onde tem vários arquivos de Internet, ou pastas contendo o mesmo, e arquivos de Word onde deveriam estar suas provas prontas.

Para desespero do técnico, ao abrir as tais provas, encontra arquivos em branco. Automaticamente, na ponta da língua, está a explicação da falha nos arquivos: “o arquivo não gravou no CD”, acusando o coitado do equipamento mais uma vez de falha.

Ah, a solução para o problema também está na ponta da língua! Ele lembra que as questões que ele usou para compor sua prova foram retiradas das 245 provas que estão gravadas no CD, curiosamente, de forma inexplicável, estes arquivos foram gravados no mesmo CD perfeitamente.

Daí, o burro de carga, terá que abrir arquivo por arquivo, passar questão por questão, para que o inocente professor possa “relembrar” e selecionar as questões que ele usou para compor a suposta prova.

Golpe do sobrinho
Lá vem ele de novo, com um disquete ou CD, vazio ou cheio de porcarias, mas nada do que ele promete para sua coordenadora há duas semanas. Leva o inexistente material para que seja copiado o arquivo, ao abrir, o técnico não acha o que está procurando, a desculpa? “Eu não sei mexer em computador, é meu sobrinho que digita para mim e grava, ele deve ter feito algo errado!”. Na maior cara-de-pau, empurra com a barriga, dá um chapéu no colégio e ainda sugere que use a prova dada pelo seu colega de disciplina, aplicada no turno oposto, para suprir a carência dos alunos pelo exame.

Depois não querem que o povo seja malandro, tentando levar vantagem em tudo, corrompendo-se ao fácil e vantajoso. Claro! Com mestres como estes, a lição é passada direitinho. Formandos, os aprendizes de “malaquias”, aplicam sua esperteza pelos tribunais, hospitais e, porque não, colégio por ai a fora.