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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O Novo Código é mais velho que minha avó



Meio a tanta discussão, em âmbito mundial, dos destinos do planeta severamente afetado pela exploração agro-industrial, o nosso meio político se mostra desafinado e irredutível, em nome dos interesses da elite ruralista e industrial ao defender mudanças no Código Florestal Brasileiro. Querem aprovar emendas parlamentares, que visam perdoar atos de crime ao meio ambiente já cometidos ou tornar mais brandas, as proibições e exigências de áreas de proteção ambiental.

Eles se agarram à cruz de uma suposta "proteção" aos pequenos produtores, justamente eles! Mais alinhados e sempre receptivos a propostas de remanejamento dos processos de produção, aceitando muito bem, conceitos de agricultura orgânica e sistemas agroflorestais.

Sergipe tem dois exemplos de iniciativas de cunho ambiental, voltadas exclusivamente aos pequenos agricultores. Um é o PAIS - Produção Agroecológica Integrada e Sustentável, em que a Cohidro - Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe e a Emdagro - Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe, fornecem auxílio técnico e kits de insumos agrícolas, para criação de aves em consórcio com a produção de hortaliças orgânicas, livre da aplicação de agrotóxicos.

Armazenamento das sementes 
crioulas em garrafas pet 
Outra iniciativa é o Sementes da Terra, desenvolvida no IFS – Instituito Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe. Onde os agricultores e familiares são motivados a utilizarem técnicas de triagem, estoque e troca, entre eles, de sementes “crioulas”, ou seja, variedades selecionadas e replantadas, durante várias gerações, pelas suas qualidades produtivas. Um precesso feito de maneira empírica e natural, diferentemente das sementes comerciais, que passam por processos de melhoramento, envolvendo produtos químicos e até transgenia para garantir sua produtividade. Ambos projetos, são muito bem aceitos pelos pequenos agricultores e tem oferecido ótimos resultados, tanto de produção, como de garantia de renda para estas famílias.

Já o grande produtor não, ele precisa de muita terra, ele precisa fazer o "pousio" do solo degradado por infinitas safras e safrinhas, o apetite de suas máquinas é voraz e sempre precisa de novas áreas para continuar com sua produção extensiva, que requer baixo investimento, mas muito chão para plantar. Não é a toa que chegam a usar aviões nesse processo, é muita terra para percorrer andando. 

Na pecuária, como já dizia minha mãe, agrônoma que atua desde os anos 80 na zootecnia, "pecuarista é gigolô de vaca". Facilmente conseguimos compreender esse desabafo, quando tomamos conhecimento que, na grande maioria das propriedades rurais, destinadas a essa atividade, a média anual de acomodação, é de uma cabeça de gado por hectare, trocando em miúdos, é nos fazer aceitar que uma vaca precisa de um campo de futebol inteirinho, de capim, para sobreviver. 

O que não contam, ao argumentar que precisam desta enorme quantidade de terra para criar boi, é que se trata de um pasto implantado há anos sem nenhum tipo de manejo de recuperação, com variedades simples que não empregam nenhum tipo melhoramento e pior, não se espera da grande maioria dos agropecuaristas nenhum tipo de suplementação de alimento para esses animais. No máximo usam o sal que não nutri, só repõe minerais que não são encontrados no capim, é mais um remédio do que comida, não engorda. Restando somente para aquele “gramado”, faça chuva ou faça sol, alimentar o bicho.

Hoje é visivel para qualquer um, por menos instruído que seja, o quanto o planeta dá sinais claros de sua exaustão à extrema exploração sofrida, desde quando virou vítima da Revolução Industrial. Onde a regra do mercado, empregada até hoje, é produzir excedente para gerar lucro. As novas gerações, não vão ter a mesma chance que nós ainda temos de poder tentar mudar a realidade. Não vai lhes sobrar muita coisa para proteger, se destruirmos e condenarmos tudo, transformando rios, em canais de esgoto e ecossistemas inteiros, em enormes desertos.

O Brasil ainda tem o diferencial, possui grandes extensões de terra intocada. Ainda podemos fazer diferente do resto do mundo como na Europa, onde o pouco que se tem de reserva florestal pertence aos governos e é protegido com homens de metralhadora e ainda assim em sua grande maioria, são de mata artificial replantada. Nós ainda temos o que proteger, temos o que preservar e porque não recuperar? O Novo Código Florestal é um retrocesso, é afrouxar a rigidez da Lei antiga de 1965, época em que se vivia à sombra do autoritarismo e muito pouco no mundo se falava em preservação ambiental. Apoiar essas mudanças é ter e demonstrar uma consciência ambiental, mais velha que minha avó.

Artigo produzido para a disciplina de Produção de Texto em Jornalismo Impresso, Orientado pela Profª. Polyana Bittencourt. Revisão de Juliane Balbibo.

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