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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Cohidro agrega à piscicultura o uso da energia solar

 Foto: Luiz Carlos Lopes Moreira

Os piscicultores atendidos pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), continuam aumentando sua produção ano a ano. Mas além de poderem contar com o farto potencial hídrico oferecido nos perímetros irrigados, para produzir peixe em cativeiro, também tem o apoio da Empresa para a instalação de kits de energia solar, em locais aonde a rede elétrica convencional não chega. Em 2012 foram instalados 14 novos sistemas que captam a força da luz sol, que proporcionam a iluminação nas casas e instalações dos aquicultores, além dos sistemas de bombeamento de água, em vilas de pescadores artesanais.

Segundo o engenheiro agrônomo e gerente de Aquicultura e Pesca da Cohidro, Francisco Machado Farias, em 2012, os projetos de piscicultura instalados nas unidades da Cohidro, continuaram progredindo, como vem acontecendo desde sua implantação. “Em relação ao ano de 2011, houve um aumento de 7,86% na produção, atingindo a marca de 458 toneladas de peixes, oferecendo ao mercado variedades como a tilápia, o tambaqui e o curimatã-pacu (xira)”, informa.

No reservatório que abastece os irrigantes do Perímetro Irrigado Jacarecica II, no município de Areia Branca, está concentrada a maior produção aquícola, onde três associações de pescadores produziram no último ano 178 toneladas de peixes. “São 150 tanques-rede instalados na represa, zelados por 12 produtores, que foram capacitados pela Cohidro e recebem a visitação periódica dos nossos técnicos, acompanhando e orientando a produção”, revela o agrônomo Farias, sobre as comunidades, que através da criação de peixe, geram renda para o sustento de 60 pessoas.

Outra produção em tanques-rede que merece destaque é a da Associação de Criadores de Peixes da Barragem de Campo do Brito (Aspebrito), que produziu, em 2012, 118 toneladas no Perímetro Irrigado da Ribeira. “Lá são 12 famílias ligadas à Aspebrito, que possuem 100 tanques-rede. Contam com a estrutura de uma mini unidade de beneficiamento do peixe, assim como fábrica de telas metálicas, para manutenção de tanques-rede, para uso próprio e venda a outras associações”, esclarece o gerente de aquicultura da Cohidro.

No município de Neópolis, 22 piscicultores do povoado Colônia 8 de Julho, comunidade às margens do Rio São Francisco, exploram a aquicultura em viveiros escavados no solo, projeto implantado também pela Cohidro. Aproveitando da água de uma nascente localizada na Colônia, produziram no último ano 116 toneladas de peixe. “145 pessoas são beneficiadas pelo projeto, a maior população atendida pela Companhia, no ramo da piscicultura. Os tanques são abastecidos por canais artificiais que vem da nascente, por meio da gravidade”, informa Francisco Farias.

Comercialização
Segundo o presidente da Companhia, Mardoqueu Bodano, a Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural (Seagri), através da Cohidro, a Empresa de Desenvolvimento Sustentável do Estado de Sergipe (Pronese) e o Sebrae, se empenham em fornecer meios de comercialização da produção aos piscicultores em feiras livres ou no fornecimento do pescado diretamente à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

“A aquicultura tem um grande potencial de mercado dentro e fora de nosso Estado. Utilizamos da mesma água que gera alimentos através da irrigação, para proporcionar renda a estas famílias e fornecer alimento nutritivo, fresco e de boa procedência à mesa dos sergipanos”, enfatiza Mardoqueu Bodano, sobre a atuação do Governo Estadual através da Cohidro, atendendo 51 piscicultores que tiram o sustento familiar de 260 tanques-rede instalados nos lagos dos perímetros e de mais outros 51 viveiros de peixes.

Energia Solar
Hoje são 22 kits de energia solar instalados em comunidades de pescadores artesanais e de aquicultures no Estado, equipamentos doados pela Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf) em convênio firmado com a Cohidro. “Em 2012, além das 14 novas unidades de captação de energia solar instaladas, também fizemos a manutenção em todos os kits, onde tivemos que substituir ao todo 14 baterias estacionárias”, menciona o agrônomo Farias.

João Quintiliano da Fonseca Neto, diretor de Irrigação e Desenvolvimento Agrícola da Companhia, elucida que os pescadores de comunidades ribeirinhas, ou aquicultores instalados nos perímetros da Cohidro, através de suas associações solicitam os kits por requerimento à Empresa. “Aqui analisamos as necessidades e prioridades destas comunidades a serem supridas pela energia solar. Feito isso, os kits são instalados em regime de comodato por tempo indeterminado, mas que poderão ser reaproveitados por outros criadores ou pescadores, caso o beneficiado abandone o local ou passe a contar com o fornecimento de energia elétrica convencional”, explica.

Um dos kits de energia solar instalados, segundo o técnico em eletricidade da Cohidro, Claudinier Rodrigues, foi nas instalações da Associação de Aquicultures, Pescadores e Artesãos do Estado de Sergipe (Acripa), em Areia Branca. “O kit instalado visa à iluminação junto ao lago do Perímetro Jacarecia II, para a vigilância e trabalho noturno nos tanques-rede. Cada Kit gera 800 watts de potência, capaz de suportar 5 lâmpadas de 15 watts durante a noite. Eletricidade que é capitada pelo painel solar e armazenada em baterias de 115 ampéres”, complementa.

“Os kits de iluminação são compostos por placas solares, controlador, inversor e baterias. Para kits de bombeamento, não são utilizadas as baterias e inversores e entra a bomba submersa, que pode ser instalada em poços tubulares de seis polegadas”, explica Claudinier, sobre os equipamentos que devido ao seu alto custo, alguns deles importados, inviabilizam a sua aquisição por parte das famílias, motivo pelo qual as empresas públicas atuam, proporcionando ao homem do campo o mesmo acesso às tecnologias que a população urbana.

O Povoado Cabeço, em Brejo Grande, sobrevive da pesca artesanal na região do Delta do Rio São Francisco. Distante da sede do município, onde só é possível chegar pela navegação, não tem acesso à rede elétrica convencional. Os moradores da vila de pescadores já contavam com a iluminação residencial fornecida pelos kits instalados pela Cohidro, agora tem o fornecimento de água extraída de um poço pela energia solar. Duas outras famílias, nos povoados Brejão e Cajuípe, no mesmo município, também tiveram seus kits de bombeamento instalados.

“No Cabeço, são 12 famílias que agora contam com o fornecimento de água que funciona, enquanto há luz do dia, abastecendo um reservatório de 5 mil litros também instalado pela Cohidro. Os moradores não acreditavam que somente a energia solar seria capaz de suprir o reservatório, mas conseguimos, em dois dias, encher a caixa por completo”, comemora Francisco Farias, revelando o potencial e a autonomia gerada pelo sistema.

Carapitanga e Brejão, povoados também em Brejo Grande, agora tem quatro famílias que tiveram kits iluminação residencial instalados em suas casas. Já no município de Pacatuba, no Povoado Garatuba, são sete famílias que receberam seus kits. “A energia solar vai até lugares onde o progresso e suas linhas condutoras de eletricidade não podem chegar, devido às dificuldades geográficas. Ela proporciona o mínimo de conforto, tirando estas pessoas da escuridão e também lhes dá meio de subsistência, pela água potável. Isso favorece a permanência do homem no campo, na terra que lhes provêm o sustento, logo, seguros das incertezas geradas pelo êxodo rural”, conclui o presidente Mardoqueu.

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