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sexta-feira, 1 de março de 2013

Noite em homenagem a João Firmino na Biblioteca Clodomir Silva


Violeiros João Bezerra e Vem Vem do Nordeste
(Fotos: Fernando Augusto/Ascom Funcaju)
Poetas cordelistas, escritores e músicos repentistas se reuniram na noite de ontem, quinta-feira, 28, para homenagear o também cordelista João Firmino Cabral, que deixou menor o elenco das personalidades artísticas sergipanas, ao falecer no último dia 1º de fevereiro, aos seus 73 anos. Com uma plateia repleta de colegas da arte, admiradores e familiares próximos, a homenagem foi organizada pela Fundação Municipal de Cultura e Turismo de Aracaju (Funcaju), no auditório da Biblioteca Municipal Clodomir Silva.

homenagem ao poeta João Firmino Cabral
Cordelista desde sua adolescência, época em que aprendeu a ler também a partir destes livretos, João Firmino fez da literatura de cordel sergipana conhecida além dos limites do seu Estado, sendo várias vezes premiado, nacionalmente, em consideração ao seu talento, com o ápice do reconhecimento, ao ser chamado a ocupar a cadeira de número 36, da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC) em 2008. Inspirou vários artistas a começarem a escrever seus folhetos, inclusive sendo parceiro e editor de vários deles, que compareceram à noite em sua homenagem.

O cordelista Ronaldo Dória
Um deles foi o aracajuano Ronaldo Dória, escritor de cordel que teve no trabalho de João, a inspiração e do amigo, o incentivo para continuar na atividade. “No meu primeiro folheto, recebi muitas críticas, mas mostrei a João Firmino e ele não disse que era bom, mas era pra continuar que eu tinha criatividade. Para Firmino, o poeta de cordel não pode só fazer aquele cordel bonitinho, com métrica, tem que ter um ‘molho’, uma coisa que atraia a atenção do leitor,” conta o autor de até o momento, 150 livretos de cordel, os dois últimos em homenagem ao mestre Firmino, obras que declamou à plateia nesta noite de homenagem.

Coordenadora de Cultura Amorosa,
presidente da Funcaju, Manoel Viana e a
diretora da Clodomir Silva, Fátima Góes
Para a diretora da Clodomir Silva, Fátima Góes, a biblioteca teve a atitude de homenagear o cordelista devido ao fato do nome dele batizar a ‘cordeuteca’ que funciona na Instituição. “Em 2003, a Clodomir inaugurou a primeira cordeuteca do Brasil com o nome de João Firmino Cabral, dessa forma ele faz parte da história, da alma da Biblioteca. Por isso chamamos os familiares, cordelistas e violeiros, para homenagear ele que viveu do cordel, em sua banca de cordéis no Mercado, onde era muito atencioso com os estudantes e turistas”, explica a diretora.

O poeta cordelista Zezé de Boquim
Outro cordelista presente à homenagem e que leu a poesia de João Firmino para os presentes foi, Zezé de Boquim. “Fico até sem palavras ao falar de João Firmino, pois quando Manoel de Almeida partiu, foi João que aguentou as pontas. Só de vender seu cordel em sua banquinha, levantou a imagem do cordel com seu trabalho e inspirou muitos outros cordelistas, mesmo que estes hoje neguem. Ótima a atitude da Biblioteca, contribuindo para que não esqueçam de seu nome e importância”, desabafou Zezé, citando Manoel de Almeida, que foi o mestre cordelista do também mestre, de tantos outros, João Firmino.

Ocordelista Leopoldo Moreira Andrade
Aos seus 92 anos, o cordelista Leopoldo Moreira Andrade, venceu as limitações impostas pela idade para comparecer à Biblioteca e também homenagear o colega e amigo. “Saudade do companheiro cordelista, um dos maiores de Sergipe, foi uma grande perda para o Estado, senão para o Brasil. Ele tinha grande criatividade, com seus causos e contos. Mas sinto muita alegria de estar aqui, junto de outros colegas, prestando esta homenagem a João Firmino”, completou Leopoldo.

Carmelita Santana Cabral, viúva de João Firmino
Carmelita Santana Cabral, esposa de João Firmino, veio à homenagem acompanhada de filhos, netos e genros. “É muito importante esta homenagem e serve de alento para nossa perda, esse reconhecimento faz com que todos saibam do grande homem que ele era, coisa que já sabíamos, pois ele era um excelente marido, pai e avô. Ele está me fazendo muita falta, foram 47 anos de casados, não é fácil superar”, lamenta a saudosa esposa.

Fechando a noite e arrancando aplausos, em pé, de todos, Antônia Amorosa de Menezes, coordenadora de Cultura da Funcaju, cantou sua composição feita ali, no transcorrer do evento, sua maneira de homenagear o grande escritor de cordel. “É um prazer para toda equipe da Funcaju fazer essa homenagem mais do que justa. Como muitos aqui citaram, nós temos referências do cordel, mas que fazem parte de uma determinada geração. Esse preconceito precisa ser rompido e uma das formas de estimular é através de concursos, oficinas e palestras na Rede Municipal de Ensino, para que esta memória, este exercício cultural não seja perdido com o tempo”, concluiu Amorosa.

Pedro Amaro, poeta cordelista 
Pedro Amaro, poeta cordelista que tem seus trabalhos no acervo na cordeuteca da Clodomir, também referenciou a importância de apresentar a riqueza cultural do cordel às gerações seguintes à desses grandes artistas como João Firmino. “Minha preocupação é que não fique só em Ronaldo Dória, Zezé de boquim, João Bezerra, Vem-vem e outros, esse reconhecimento do trabalho de João Firmino, é preciso que os jovens tomem como exemplo o trabalho dele e levem adiante o hábito de fazer poesia no cordel como muitos aqui fizeram”, discursou o mestre, antes de ler o livreto que escreveu também em homenagem ao colega.

Sobre a cordelteca
A Cordelteca João Firmino Cabral possui mais de 500 títulos, escritos por cerca de 36 cordelistas sergipanos e de outros locais, como Alda Cruz, Eduardo Fiscina, Chiquinho de Além Mar, Agulhão e Pedro Amaro. Todo acervo fica à disposição, para consulta, dos frequentadores da Biblioteca Municipal Clodomir Silva, localizada na rua Santa Catarina, nº 314, bairro Siqueira Campos.

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