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segunda-feira, 13 de maio de 2013

Demanda maior e investimentos aumentam área do milho irrigado em Lagarto

Foto: Ascom Cohidro/
Fernando Augusto
Mais uma vez a estiagem prolongada beneficia os agricultores inseridos nos perímetros irrigados da Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro). A falta de chuvas, impedindo que os plantios fora de projetos de irrigação fossem iniciados, estimulou os irrigantes de Lagarto a aumentarem a área plantada de milho para espiga e realizar investimentos no cultivo, na intenção de fornecer o produto para o período junino. 


Foto: Ascom Cohidro/
Fernando Augusto
No Perímetro Irrigado Piauí (PEPIA), no município de Lagarto, todos os 480 agricultores irrigantes dedicaram uma área para o milho espiga, seja para a comercialização ou para o consumo da própria família, segundo o técnico agrícola da Cohidro, William Domingos Silva. “Por causa da estiagem, todos resolveram plantar milho neste ano, nem que seja para consumo próprio. A área plantada superou os 40 hectares e prevê uma produção de mais de 280 toneladas”, revelou. Esses dados superam a área colhida de 2012 em 67,5% e a produção em 129%.

As cerca de 1,4 milhão de espigas esperadas para a colheita junina de 2013 não só se devem ao aumento da área plantada. Investimentos no método de irrigação e técnicas de adubação trouxeram diferenciais que vão alavancar a produção. Exemplo disso é a lavoura de milho do irrigante Israel Farias dos Santos, do lote 105 do PEPIA, que implantou neste ano o sistema de irrigação por gotejamento em sua plantação de 2 hectares.

“Investi no novo sistema de gotejamento orientado pela Cohidro. Bastam 40 minutos de irrigação por dia em cada setor da lavoura, isso quando não chove”, revelou Israel, sobre a técnica de irrigação que “é mais uniforme, eficiente e econômica do que o sistema de aspersão, que nem sempre consegue atingir todas as plantas e desperdiça muita água. Outro segredo é a adubação de fundação, que é feita junto do plantio da semente”, explicou o técnico William.

Graças à água para irrigação fornecida pela Cohidro, Israel produz durante todo ano na mesma área, fazendo rotatividade entre duas safras de amendoim e uma de milho. “Devo colher, entre 7 e 12 de julho, umas 65 mil espigas no meu lote, que plantei no dia 28 de março. Toda produção já tem comprador certo em Salvador”, comentou, explicando que o cliente paga R$ 50 pelo cento do milho e arca com o valor do frete e da mão de obra contratada para a colheita.

Nesta lavoura, o técnico agrícola estipula que o Israel Farias vá gerar um faturamento bruto em torno de R$ 30 mil, sem contar com a venda dos restos da cultura para os pecuaristas que ministram as folhas e talos ao gado, item que tem aumentado sua procura, devido também à estiagem prolongada. “Chegam vir do Sertão Sergipano criadores querendo comprar a ‘palhada’ do milho dos irrigantes de Lagarto”, completa William Domingos.


Empreendedorismo

Não só para o consumo próprio ou para fornecer para atravessadores que é plantado o milho no PEPIA. Existem agricultores, como Genivaldo Azevedo de Jesus, conhecido por “Maradona”, que pretendem se encarregar de todo processo de plantio, colheita e investem para fornecer o produto diretamente ao consumidor final, assim alcançando um maior lucro com a sua lavoura.

Maradona e seu pai, João Benigno de Jesus, plantaram 1 hectare de milho, metade em 28 de março e o restante uma semana depois, intervalo de tempo para poder conciliar as atividades da colheita e da comercialização. “Eu mesmo quero vender em Lagarto, Boquim e Simão Dias, pondo funcionários para me ajudar para colher e vender nas feiras”, anuncia o agricultor que espera produzir 30 mil espigas nesta safra, que pretende vender entre R$ 0,75 e R$ 1 cada uma delas.

Para se ter uma ideia do quanto a família de agricultores está apostando no milho verde, na mesma área que hoje ocupa a cultura existiam duas lavouras, de quiabo e fumo. Após a colheita, eles pretendem voltar com o fumo e inserir uma outra roça de batata-doce. “Este ano, com a estiagem prolongada, só quem tinha irrigação plantou o milho. Quem não tinha, ficou esperando chuva e só agora ela chegou. Quem plantar agora, não vai ter milho para o São João”, justificou Maradona.

Novas técnicas
Superada a etapa de conscientização dos irrigantes quanto ao uso do gotejamento, agora a intenção é de convencer os irrigantes quando ao uso da fertirrigação, que segundo o técnico em agropecuária do PEPIA, José Américo, leva a adubação até a planta por meio da água. “Como a irrigação por gotejamento atinge somente o solo, ela é bastante recomendada para a fertirrigação, que ajuda a absorção dos nutrientes pela planta, já que vêm diluídos na água”, comenta sobre o método que exige o investimento na instalação de outros equipamentos, acoplados ao sistema de irrigação.

Para a gerente do PEPIA, Gilvanete Teixeira, conciliar as oportunidades de mercado com novas técnicas de cultivo, faz com que o Perímetro seja cada vez mais produtivo e cumpra seu papel de prover renda para o homem do campo. “São características que promovem o desenvolvimento humano através da agricultura familiar. Melhores lucros para o agricultor lhe dão segurança financeira para realizar investimentos na especialização de suas lavouras”, comenta. 


Mardoqueu Bodano, presidente da Cohidro, parabeniza a iniciativa dos irrigantes de Lagarto ao apostar no mercado, aumentando suas lavouras e investindo na produção mais eficiente. “Já que a seca diminuíra a oferta dos produtos pela agricultura tradicional, é louvável que todos os irrigantes não só passem a lucrar mais com isso, mas que preencham essa lacuna na produção. Eles, garantindo o milho verde ao mercado no período junino, ajudam também o equilíbrio dos preços, barrando a entrada do produto vindo de outros estados, que é mais caro pelo custo do frete”, concluiu.



 

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