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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Perímetro da Cohidro recebe Encontro Técnico da UFS‏

Professores e acadêmicos da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Prefeitura Municipal de Malhador, Técnicos do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e da Companha de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), se reuniram nesta quarta-feira, 23, no Assentamento de Reforma Agrária Dandara - situado na área do Perímetro Irrigado Jacarecica II - para expor aos agricultores os resultados de projeto de extensão desenvolvido pelos estudantes e aplicar palestras temáticas, além de práticas de campo, no “I Encontro Técnico do Assentamento Dandara”.

De uma inciativa dos alunos das Engenharias Agronômica, Agrícola e Florestal, coordenados pelo Professor Dr. Marcos Cabral de Vasconcellos Barreto, nasceu o projeto de extensão que tinha como intenção inicial propor aos agricultores a prática da análise de solo, objetivando o uso correto e racional da adubação de correção. “O adubo é sempre usado de qualquer forma, então decidimos pesquisar a funcionalidade dos que mais são usados - e acessíveis - conforme a fertilidade do solo de cada um dos lotes”, explica Dr. Marcos Cabral, reiterando que a partir de uma análise, é possível identificar até quando o adubo é usado além do necessário, trazendo economia para o produtor.

Estudante de agronomia e estagiário da Cohidro na Gerência de Desenvolvimento Agropecuário, Geannin Arruda Conceição conta que a iniciativa começou com a ida dos alunos ao campo coletando amostras de solo dos lotes. “Foram 20 agricultores atendidos inicialmente, principalmente aqueles que cultivam hortaliças e batata-doce. Começamos isso como uma experiência e com os recursos que nós tínhamos disponíveis, mas agora, para o próximo ano, teremos o apoio da UFS, Prefeitura de Malhador e Cohidro”, anuncia ele sobre a adesão destas instituições públicas ao projeto de extensão originado em sala de aula.
O professor Marcos Cabral, comenta que depois de feitos os estudos no solo coletado no Dandara, se fez necessário expor os resultados. “Neste encontro apresentamos aos agricultores o diagnóstico de fertilidade do solo e o grau de adequação da adubação, que explicarei como será feito em palestra e prática de campo. Aproveitei o ensejo e trouxe mais três colegas para expor outras práticas, que identificamos ter muita potencialidade neste Assentamento”.
Irrigação
Doutor em ecologia aplicada e mestre em irrigação e drenagem, Ariovaldo Antonio Tadeu Lucas foi um dos professores da UFS a apresentar as palestras e práticas de campo no Assentamento Dandara. Ele explicou que mesmo dispondo da irrigação gratuita e distribuída por gravidade - sem necessidade de bombeamento - no Perímetro da Cohidro, o irrigante precisa estar atento às técnicas corretas de irrigação, visando tanto a produtividade quanto a diminuição dos impactos ao meio ambiente.
“Vou falar sobre o manejo da irrigação, de como e quando utilizar, para isso, irei demonstrar o funcionamento do tensiômetro na aula prática, que faz a leitura da umidade do solo. Além disso, vou expor sobre a necessidade da análise física, onde analisamos aspectos como a porosidade e a capacidade de absorção do solo, indicando a melhor forma de irrigar. Se o agricultor irrigar em excesso, pode não produzir bem, pois a terra perde nutrientes e a água em excesso pode gerar impactos ambientais como a erosão”, relaciona o Dr. Tadeu Lucas.
Piscicultura
A fartura de água que os colonos do Dandara dispõem abre a possibilidade da exploração da criação de peixes, que hoje é explorada pelos produtores - de forma esporádica – em tanques escavados, de concreto e tanques-rede no reservatório do Jacarecica II. Para demonstrar técnicas de manejo produtivas e que respeitei o meio ambiente, veio ao Encontro Técnico o professor doutor da UFS, Jodnes Sobreira Vieira.
“Vim trazer boas práticas de manejo na piscicultura, que no Dandara podem ser muito bem aproveitadas pelos produtores, já que percebi que há uma oferta de água abundante fornecida pela Cohidro e que nem sempre é totalmente aproveitada. Aplicando técnicas adequadas, com um projeto de manejo, se consegue tanto uma boa produtividade, garantindo renda aos assentados, como também prevenimos qualquer impacto ambiental, partindo do princípio que o piscicultor tem que devolver a água, que vai ser utilizada na criação de peixes, com a mesma qualidade de que captou na natureza”, adverte o Dr. Jodnes.


Plantas ornamentais
Outra potencialidade identificada no Assentamento Dandara, diante da oferta de água para irrigação, foi a produção de flores e plantas ornamentais. Para demostrar as vantagens da atividade, explicar técnicas de produção de mudas e manejo, o Encontro contou com a colaboração da professora doutora, também da UFS, Maria Aparecida Moreira. “O objetivo maior é de mostrar as espécies que tem possibilidade de introdução nesta região. São plantas de locais com clima tropical, que precisam de alta temperatura, sombra e carecem de muita água, item que o Assentamento tem à disposição pelo fornecimento da Cohidro”, expõe a especialista.

Bastante interessada nesta nova potencialidade agrícola, gerada a partir da oferta de água para irrigação, ficou a prefeita de Malhador, Elayne de Dedé. A administração municipal tem intenção de se tornar a principal consumidora das flores e plantas ornamentais produzidas no Dandara, visando a jardinagem e paisagismo dos espaços públicos da Cidade. Sendo a Prefeitura a nova parceira no projeto dos pesquisadores da UFS, ela também não deixou de expressar seu otimismo com a iniciativa, sob o argumento de ser a agropecuária a principal fonte econômica do Município.
“É grandioso, é uma parceria que só vai trazer benefícios ao povo de Malhador, gostaríamos de agradecer toda a equipe que faz a UFS, por ter escolhido Malhador, para iniciar esta parceria. Agora nós vamos até lá, até a diretoria técnica da UFS para poder firmar este convênio, pois está aqui o Município, de braços abertos, para trazer benefícios ao agricultor”, anunciou a prefeita que avalia como estratégica a posição do Município na agricultura do Estado, graças a oferta de água. “A Cohidro também é nossa parceira e nós temos aqui talvez umas das grandes maravilhas que Deus nos deu que é a irrigação através do Perímetro Irrigado de Jacarecica II”, concluiu.

A Prefeitura de Malhador, segundo o secretário de Agricultura Izaias Soares, forneceu a estrutura para realização do Encontro Técnico e apoiou na mobilização dos agricultores, diante da importância do evento para o Município. “Com essas orientações e apoio técnico, além de ter boa produção, a gente também diminui os custos de produção”, considerou ele que é um dos assentados do Dandara. “Temos uma cooperativa, começando agora o processo vendas pelo PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), na horticultura e produção de tubérculos e estamos buscando parcerias para introduzir o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos)”, expõe também o agricultor, sobre o potencial produtivo do Assentamento.

Mardoqueu Bodano, presidente da Cohidro, avalia como positiva a interferência dos pesquisadores da UFS no Perímetro, respaldando a assistência técnica lá fornecida em conjunto, tanto pela Companhia, como pelo MST. “Satisfaz muito saber que os novos especialistas do meio agrícola, que entrarão no mercado de trabalho num futuro próximo, hoje estão preocupados em estudar a situação e oferecer melhorias a esta agricultura de base e familiar, que é também foco da nossa Empresa. Eles, os pequenos, são responsáveis por 75% da comida que é produzida no país e é neles que todos os esforços governamentais e acadêmicos devem ser focados, gerando renda e provendo nossa segurança alimentar”.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Irrigação da Cohidro impulsiona produção de mudas em Canindé‏

Agricultores de Canindé de São Francisco, atendidos com a irrigação fornecida pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), no Perímetro Irrigado Califórnia, diversificam a atividade rural ao produzir mudas. Seus viveiros atendem as próprias hortas e pomares, mas o grosso da produção é comercializado com outros produtores, do próprio Perímetro e do Projeto de Irrigação Jacaré Curituba, gerido pela Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), neste município e no vizinho Poço Redondo.

Hoje, segundo o gerente do Perímetro Califórnia, Joaquim Ribeiro dos Santos, são 5 irrigantes que se dedicam a cuidar de viveiros para produção de mudas, mas a tendência é de que este número venha aumentar. “Outros agricultores também tem interesse em implementar estufas e viveiros afim de atender a crescente demanda que já é maior que a oferta. Tanto na fruticultura e na horticultura, o processo de plantio por meio de mudas garante um resultado melhorado, dando atenção especial à planta no período que ela exige mais cuidado e garante uma produtividade superior”.
Joaquim esclarece que a Companhia, além de fornecer a água que viabiliza o cultivo destas mudas, busca acompanhar este processo, fornecendo toda assistência agronômica e capacitando seus técnicos para atender estes produtores. “Enviamos técnicos do Perímetro para fazer treinamento sobre produção de mudas na Embrapa Semiárido, em Petrolina-PE, que é referência no cultivo de variedades frutíferas irrigadas no Sertão. Também foram várias visitas ao Perímetro Irrigado Piauí, também da Cohidro, em Lagarto, onde se destaca a horticultura orgânica”, explica.

Em todos os casos, são agricultores que cultivam alimentos, do plantio à colheita, em suas áreas irrigadas, mas que também se destinam à atividade de produção de mudas como um incremento à renda familiar. É o caso de Maria do Socorro Aragão Silva, que em seu lote produz quiabo, mas no viveiro que construiu, cultiva mudas frutíferas, de hortaliças, flores e plantas ornamentais. No caso das verduras, ela comercializa as plantas em bandejas de 180 ou 200 unidades.
“As alfaces eu vendo as 180 mudas, com 3 semanas de plantio e prontas para replantar em uma horta, por R$ 10. O pimentão, com 4 semanas, sai por R$ 15. Vendo aqui no Califórnia, no Jacaré Curituba e até gente de Paulo Afonso (BA) vem buscar. Vendo na cidade também plantas para jardins e pés de flores, como as mini rosas”, contou Maria do Socorro, advertindo que este preço é sem a bandeja de isopor, que preferencialmente é devolvida e reaproveita para novamente usar na produção de mudas. Ela ainda explica que não usa qualquer tipo de defensivo químico no cultivo, mas que a germinação se dá no substrato terroso feito com esterco de gado, pó de coco e torta de mamona.
Mercado em expansão
Levi Alves Ribeiro, o popular Sidrack, é irrigante do Perímetro Irrigado da Cohidro, cultiva um pomar de goiaba e planta hortaliças. Para atender suas plantações, montou um viveiro, onde produz mudas de pimentão, tomate, pimenta de cheiro, couve, couve flor, pepino e maracujá. “cerca de 10% desta produção fica para minha horta, o restante são para atender encomendas. Destas, 30% vão para agricultores do Projeto Jacaré Curituba, mas a maioria fica com os daqui do Califórnia”, explicou.
O irrigante viu na carência existente por fornecedores de mudas no Perímetro Irrigado uma oportunidade e investiu na comercialização. O negócio deu tão certo que agora ele pretende expandir. “Começamos observar que o pessoal estava indo buscar mudas em Itabaiana, assim decidi produzir, no meu viveiro, mudas para vender aqui. Compensa financeiramente, tenho um viveiro de 7x26m, mas pretendo construir outro em breve, ainda maior, com 9 metros de largura”, admite Sidrack.
Produção orgânica
A preocupação com a qualidade das mudas que serão comercializadas é constante entre os produtores e todos buscam, cada vez mais, fornecer matrizes que foram cultivadas com técnicas livre de agrotóxicos. “Só aplico o fertilizante foliar de baixa toxidade - faixa verde - e uso um substrato comercial, mas quero produzir o meu, orgânico. Já procuramos a Cohidro, que está fornecendo toda orientação para isso”, finalizou Levi Alves, que tem a intenção de se tornar um horticultor orgânico.

O diretor de Irrigação da Cohidro, João Quintiliano Fonseca, explica que tanto para produzir mudas, como para fornecer alimentos totalmente orgânicos, o irrigante tem como opção a Organização de Controle Social (OCS).“Todos os irrigantes podem optar pela formalização de uma associação de produtores agroecológicos. Desde que se mobilizem e assumam o compromisso de não usar agroquímicos, seguindo técnicas de cultivo orgânico. A Companhia presta todo suporte aos interessados e incentiva, sempre que possível, o agricultor a optar por essa conversão, mas quem vai atestar a autenticidade do caráter orgânico da OCS, assim como fiscalizar sua produção, é o Ministério da Agricultura”.

Um passo à frente está a irrigante do Perímetro Califórnia, Maria Aparecida Nascimento Santana. Cida produz seu próprio substrato terroso para cultivar as mudas, que suprem sua própria horta e também fornece para outros produtores do Perímetro. Embora não tenha certificação orgânica ou faça parte de uma OCS, a horticultora aplica técnicas agroecológicas que servem de referência na sua região.
“O pessoal da Cohidro me ensinou como produzir hortaliças de forma orgânica e sempre me acompanham. Quando tenho alguma dúvida eu vou lá tiro com eles. Sempre recebo visita de escolas para conhecer minha produção, onde não uso agrotóxicos”, conta a irrigante Cida, que além de comercializar as mudas produzidas em seu viveiro, também vende verduras e legumes diretamente no seu lote e em feiras livres.

Mardoqueu Bodano, presidente da Cohidro, vê na atitude dos irrigantes fornecedores de mudas, uma nova etapa no processo de desenvolvimento social iniciado com a criação do Perímetro Irrigado. “Depois do Governo do Estado garantir água para a produção agrícola em pleno Semiárido, como é o caso de Canindé, muito natural a gente observar a evolução dos agricultores familiares envolvidos, sob a tendência de deixarem a agricultura a nível dê subsistência, para se tornarem agroempreendedores. Gratificante, para mim, é saber que a Companhia tem participação nisso e estará lá, para atender outros produtores que queiram participar desta e de outras atividades de aprimoramento, que agricultura irrigada proporciona em Sergipe”.