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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Irrigação da Cohidro impulsiona produção de mudas em Canindé‏

Agricultores de Canindé de São Francisco, atendidos com a irrigação fornecida pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), no Perímetro Irrigado Califórnia, diversificam a atividade rural ao produzir mudas. Seus viveiros atendem as próprias hortas e pomares, mas o grosso da produção é comercializado com outros produtores, do próprio Perímetro e do Projeto de Irrigação Jacaré Curituba, gerido pela Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), neste município e no vizinho Poço Redondo.

Hoje, segundo o gerente do Perímetro Califórnia, Joaquim Ribeiro dos Santos, são 5 irrigantes que se dedicam a cuidar de viveiros para produção de mudas, mas a tendência é de que este número venha aumentar. “Outros agricultores também tem interesse em implementar estufas e viveiros afim de atender a crescente demanda que já é maior que a oferta. Tanto na fruticultura e na horticultura, o processo de plantio por meio de mudas garante um resultado melhorado, dando atenção especial à planta no período que ela exige mais cuidado e garante uma produtividade superior”.
Joaquim esclarece que a Companhia, além de fornecer a água que viabiliza o cultivo destas mudas, busca acompanhar este processo, fornecendo toda assistência agronômica e capacitando seus técnicos para atender estes produtores. “Enviamos técnicos do Perímetro para fazer treinamento sobre produção de mudas na Embrapa Semiárido, em Petrolina-PE, que é referência no cultivo de variedades frutíferas irrigadas no Sertão. Também foram várias visitas ao Perímetro Irrigado Piauí, também da Cohidro, em Lagarto, onde se destaca a horticultura orgânica”, explica.

Em todos os casos, são agricultores que cultivam alimentos, do plantio à colheita, em suas áreas irrigadas, mas que também se destinam à atividade de produção de mudas como um incremento à renda familiar. É o caso de Maria do Socorro Aragão Silva, que em seu lote produz quiabo, mas no viveiro que construiu, cultiva mudas frutíferas, de hortaliças, flores e plantas ornamentais. No caso das verduras, ela comercializa as plantas em bandejas de 180 ou 200 unidades.
“As alfaces eu vendo as 180 mudas, com 3 semanas de plantio e prontas para replantar em uma horta, por R$ 10. O pimentão, com 4 semanas, sai por R$ 15. Vendo aqui no Califórnia, no Jacaré Curituba e até gente de Paulo Afonso (BA) vem buscar. Vendo na cidade também plantas para jardins e pés de flores, como as mini rosas”, contou Maria do Socorro, advertindo que este preço é sem a bandeja de isopor, que preferencialmente é devolvida e reaproveita para novamente usar na produção de mudas. Ela ainda explica que não usa qualquer tipo de defensivo químico no cultivo, mas que a germinação se dá no substrato terroso feito com esterco de gado, pó de coco e torta de mamona.
Mercado em expansão
Levi Alves Ribeiro, o popular Sidrack, é irrigante do Perímetro Irrigado da Cohidro, cultiva um pomar de goiaba e planta hortaliças. Para atender suas plantações, montou um viveiro, onde produz mudas de pimentão, tomate, pimenta de cheiro, couve, couve flor, pepino e maracujá. “cerca de 10% desta produção fica para minha horta, o restante são para atender encomendas. Destas, 30% vão para agricultores do Projeto Jacaré Curituba, mas a maioria fica com os daqui do Califórnia”, explicou.
O irrigante viu na carência existente por fornecedores de mudas no Perímetro Irrigado uma oportunidade e investiu na comercialização. O negócio deu tão certo que agora ele pretende expandir. “Começamos observar que o pessoal estava indo buscar mudas em Itabaiana, assim decidi produzir, no meu viveiro, mudas para vender aqui. Compensa financeiramente, tenho um viveiro de 7x26m, mas pretendo construir outro em breve, ainda maior, com 9 metros de largura”, admite Sidrack.
Produção orgânica
A preocupação com a qualidade das mudas que serão comercializadas é constante entre os produtores e todos buscam, cada vez mais, fornecer matrizes que foram cultivadas com técnicas livre de agrotóxicos. “Só aplico o fertilizante foliar de baixa toxidade - faixa verde - e uso um substrato comercial, mas quero produzir o meu, orgânico. Já procuramos a Cohidro, que está fornecendo toda orientação para isso”, finalizou Levi Alves, que tem a intenção de se tornar um horticultor orgânico.

O diretor de Irrigação da Cohidro, João Quintiliano Fonseca, explica que tanto para produzir mudas, como para fornecer alimentos totalmente orgânicos, o irrigante tem como opção a Organização de Controle Social (OCS).“Todos os irrigantes podem optar pela formalização de uma associação de produtores agroecológicos. Desde que se mobilizem e assumam o compromisso de não usar agroquímicos, seguindo técnicas de cultivo orgânico. A Companhia presta todo suporte aos interessados e incentiva, sempre que possível, o agricultor a optar por essa conversão, mas quem vai atestar a autenticidade do caráter orgânico da OCS, assim como fiscalizar sua produção, é o Ministério da Agricultura”.

Um passo à frente está a irrigante do Perímetro Califórnia, Maria Aparecida Nascimento Santana. Cida produz seu próprio substrato terroso para cultivar as mudas, que suprem sua própria horta e também fornece para outros produtores do Perímetro. Embora não tenha certificação orgânica ou faça parte de uma OCS, a horticultora aplica técnicas agroecológicas que servem de referência na sua região.
“O pessoal da Cohidro me ensinou como produzir hortaliças de forma orgânica e sempre me acompanham. Quando tenho alguma dúvida eu vou lá tiro com eles. Sempre recebo visita de escolas para conhecer minha produção, onde não uso agrotóxicos”, conta a irrigante Cida, que além de comercializar as mudas produzidas em seu viveiro, também vende verduras e legumes diretamente no seu lote e em feiras livres.

Mardoqueu Bodano, presidente da Cohidro, vê na atitude dos irrigantes fornecedores de mudas, uma nova etapa no processo de desenvolvimento social iniciado com a criação do Perímetro Irrigado. “Depois do Governo do Estado garantir água para a produção agrícola em pleno Semiárido, como é o caso de Canindé, muito natural a gente observar a evolução dos agricultores familiares envolvidos, sob a tendência de deixarem a agricultura a nível dê subsistência, para se tornarem agroempreendedores. Gratificante, para mim, é saber que a Companhia tem participação nisso e estará lá, para atender outros produtores que queiram participar desta e de outras atividades de aprimoramento, que agricultura irrigada proporciona em Sergipe”.

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