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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Embrapa visita fruticultura de clima temperado em Perímetro da Cohidro

Nesta terça-feira, 26, ocorreu um visita técnica no Perímetro Irrigado Piauí, administrado pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro) em Lagarto. Na ocasião, o engenheiro agrônomo Paulo Roberto Coelho Lopes, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), orientou os irrigantes que abrigam em seus lotes o projeto de transferência de tecnologia entre as duas estatais, onde estão sendo cultivados 7 campos experimentais de variedades frutíferas de clima temperado. Ao todo foram plantadas 5500 mudas de caqui, pera e maçã no município.

Esta é a segunda visita do agrônomo - da unidade Semiárido da Embrapa - aos pomares do Piauí. Desta vez, após as primeiras mudas já terem sido plantadas há 90 dias, ele demonstrou - na prática - de que forma os agricultores devem fazer a poda das mudas frutíferas para que elas atinjam tanto o tamanho como a estrutura necessária para terem uma boa produção, o que deve começar a acontecer, segundo Paulo Roberto, em cerca de um ano, devido a precocidade que as plantas atingem no clima quente do Nordeste.

"Em São Paulo o caqui, por exemplo, alcança uma produção em nível comercial em 8 anos, aqui isso vai acontecer em 4. Estas mudas que foram plantadas há 3 meses e que já tinham 2 anos de vida, devem começar a produzir em um ano. Devido a condição climática que nós temos aqui, a planta passa o ano inteiro se desenvolvendo, fazendo a fotossíntese, o que não acontece em lugares de clima frio, onde o inverno a faz perder as folhas, por isso aqui ela tem um desenvolvimento precoce", esclareceu o agrônomo da Embrapa, que ainda explicou que antes de chegarem aos campos de Lagarto, as mudas passaram por um período médio de 6 meses, em câmaras frias à 1º ou 2º C, para favorecer a brotação.
A experiência adquirida por Paulo Roberto no cultivo destas variedades no clima nordestino se deve ao projeto pioneiro da Embrapa em seu campo de Petrolina-PE. Lá, já se passaram 5 anos desde que foram plantadas as primeiras mudas e hoje os produtores inseridos no projeto alcançam, por exemplo, a produção de 40 toneladas de maçã por hectare plantado, podendo chegar a até 25 kg por planta. Ele disse estar satisfeito com o desenvolvimento das plantas no Perímetro e com o trabalho dos irrigantes assistidos pela Cohidro.


"O que a gente vê é que as mudas estão indo muito bem em Lagarto e até o momento os produtores estão fazendo o manejo da forma correta, é minha segunda visita e estou satisfeito com o resultado", comentou o engenheiro agrônomo. No projeto, os irrigantes receberam as mudas vindas de produtores certificados do Paraná, todo aparato para a irrigação de gotejamento e lhes será fornecido, durante um ano, os insumos e nutrientes necessários para o desenvolvimento da planta, além da assistência técnica direta da Embrapa, que no Perímetro Irrigado também está sendo feita - de forma mais constante - pelo técnico agrícola da Cohidro, William Domingos Silva.

"Depois de fazermos uma viagem técnica a Petrolina e conhecer o experimento que foi iniciado em 2008, tanto eu como os agricultores que selecionamos, ficamos aptos a participar do projeto. É um desafio introduzir estas culturas aqui, pois são originárias de climas frios, mas pudemos ver, nos campos da Embrapa e de produtores particulares, as plantas produzindo em pleno Sertão e isso nos anima", relata William, que no Perímetro de Lagarto assiste a dois campos experimentais, cada um com meio hectare e 1000 mudas de pera plantadas, mais dois também com 1000 macieiras e outros 3 lotes, com 500 pés de caqui cada.

Codevasf
Também participou da visita técnica o superintendente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) em Sergipe, Paulo Viana. A Estatal Federal também é uma das beneficiadas pelo projeto, viabilizado a partir da emenda parlamentar do senador sergipano Antônio Carlos Valadares e que destinou o investimento de R$ 300 mil para introdução de novas variedades frutíferas em Sergipe.

"A Codevasf foi quem levou a ideia ao Senador Valadares, de introduzir as novas variedades - inicialmente - nas áreas de atuação da Cohidro. Após este período de experimentação de um ano aqui nos lotes de Lagarto, pretendemos implementar estas variedades nas áreas onde fornecemos irrigação", revela Paulo Viana, que ainda menciona que a mesma emenda parlamentar também garantiu criar campos experimentais de uvas, no Perímetro Irrigado Jacaré-Curituba, administrado pela Codevasf e no Perímetro Califórnia, administrado pela Cohidro, que abrangem os municípios sergipanos de Canindé de São Francisco e Poço Redondo.

"Tudo isso é uma forma de ampliar a área de atuação do Governo do Estado e Federal, buscando novas alternativas econômicas aos nossos produtores. Estamos aqui aproveitando décadas de pesquisa feita em Petrolina - pela Embrapa - para aplicar em Sergipe, ganhando tempo e economizando recursos públicos", conclui o superintendente, que adianta para 2014, outra emenda parlamentar levada ao Senado por Valadares, onde serão introduzidas, nas áreas de atuação da Codefasf, Cohidro e Emdagro, mudas de abacaxi, banana e cacau.


Segundo o diretor de Irrigação da Cohidro, João Quintiliano da Fonseca Neto, a intenção deste novo projeto, para o ano que vem, é o de introduzir essas variedades - que já são comuns à fruticultura do Nordeste - com os mesmos critérios técnicos implantados no atual plantio de pera, maçã e caqui, utilizando mudas de abacaxi, banana e cacau livres de doenças e com origem certificada. Para ele, a implementação destes campos experimentais nos perímetros, sem custo inicial aos agricultores, é uma forma de garantir e comprovar a viabilidade desses cultivos, atraindo novos interessados em participar e investir nestas novas alternativas de produção, diversificando a fruticultura irrigada no Estado.

"São unidades que servirão como multiplicadoras, a partir do experimento feito por estes primeiros agricultores, outros virão a abraçar a ideia, depois de verem o resultado alcançado nestas unidades demonstrativas. São alternativas às culturas frutíferas tradicionais como a laranja, que sofre pela ação do mercado especulativo das indústrias processadoras ou pela grande oferta do produto", elucidou também o diretor e engenheiro agrônomo João Quintiliano, presente à visita ao Perímetro de Lagarto.


Mardoqueu Bodano, presidente da Cohidro, acompanhou com entusiasmo os técnicos que percorreram os lotes onde foram implantados os plantios experimentais em Lagarto. Ele reforça o compromisso assumido pela Companhia em apoiar e dar suporte aos experimentos da Embrapa nos perímetros irrigados. "Nossa Empresa recebe, de braços abertos, toda iniciativa público ou privada que tenha a intenção de dinamizar a geração de renda para os agricultores assistidos por nós. O empenho da pesquisa da Embrapa, a preocupação com o homem do campo que teve o senador Valadares e a parceria com a Codevasf, só somam esforços ao nosso trabalho de levar o desenvolvimento, técnico e responsável, ao meio rural".

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Cohidro e Emdagro levam ciclo de palestras sobre agrotóxicos a Malhador


Agricultores do Perímetro Irrigado Jacarecica II, gerido pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), receberam palestra educativa sobre o “uso racional de agrotóxicos” nesta quarta-feira, 20. O encontro ocorreu no Assentamento Dandara, no município de Malhador e é uma iniciativa da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), órgão responsável pela fiscalização do uso de agroquímicos no Estado. O evento serviu também para expor - aos irrigantes - alternativas de produção agroecológicas.

O Jacarecica II abrange áreas dos municípios de Malhador Areia Branca e Riachuelo, fornecendo irrigação para a agricultura em localidades rurais e assentamentos de reforma agrária. Além deste perímetro irrigado, o ciclo de palestras já atingiu os irrigantes de Canindé de São Francisco, em 9 de outubro e Itabaiana, no último dia 7. A parceria entre Cohidro e Emdagro ainda irá atender os irrigantes do Perímetro Piauí, em Lagarto e Poção da Ribeira, também em Itabaiana, nos dias 26 e 28 respectivamente.


O engenheiro agrônomo da Emdagro, Marcos Paulo Pacheco Góis, foi o palestrante no Jacarecica II. Ele revela que a realização das palestras, focadas aos irrigantes atendidos pela Cohidro, se deve à intensa atividade agrícola que a irrigação proporciona, o que faz com que o uso de defensivos também seja maior. “Temos produtores que plantam o ano todo e utilizam agrotóxicos, o risco que correm é maior do que em outras propriedades que também fiscalizamos. Por isso decidimos focar neles essas atividades de orientação e conscientização, para que este produtor minimize os riscos com uso destes produtos”.

O agrônomo da Emdagro ainda explica que a estratégia da Empresa Estatal está sendo a de aproveitar as palestras para oferecer capacitação àqueles que foram alvo de fiscalização e autuados. “Quando os agricultores se propõem a passar pelos nossos cursos e capacitações, a Emdagro dá a chance para eles fazerem uma troca e não serem punidos com multas, geradas quando nossos agentes de inspeção constatam o uso incorreto dos agrotóxicos em suas lavouras”, relata Marcos Paulo. 

Receituário agronômico
Na palestra, foram abordados temas importantes para o agricultor irrigante que utiliza de defensivos químicos na lavoura, tais como a classificação, a infinidade de riscos à saúde devido à contaminação, o uso correto dos equipamentos de proteção individual (EPI), o descarte adequado das embalagens usadas e a aplicação da receita agronômica. “A receita, que só pode ser emitida por um agrônomo ou técnico agrícola que preste assistência ao irrigante, tanto dá amparo legal ao agricultor no uso de agrotóxicos, quanto explica detalhadamente todo procedimento para sua aplicação, da dosagem correta até os períodos de carência entre a última aplicação e a colheita do alimento”, complementa o agrônomo palestrante.


O servidor da Cohidro, Tito Reis, é técnico agrícola licenciado para emissão da receita agronômica. Ele aproveitou a palestra para reafirmar o compromisso da Companhia em dar a assistência técnica rural aos irrigantes. “É importante que o agricultor procure a Cohidro e solicite a visita de um agrônomo ou técnico em sua lavoura, toda vez que tiver uma ocorrência de pragas ou plantas invasoras, para que nós possamos identificar o problema e definir o produto correto para combatê-lo, com a dosagem e períodos apropriados, sem riscos de contaminação”.

Agricultura orgânica

Paralelo ao trabalho de conscientização quanto ao uso racional dos agrotóxicos, há a iniciativa constante dos técnicos, em ambas empresas públicas, de tentar introduzir no meio rural o conceito da agricultura orgânica. “Mês passado, a presidenta Dilma Rousseff lançou o ‘Plano Brasil Agroecológico’, com recursos de R$ 8,8 bilhões voltados para o financiamento da agricultura orgânica, por meio do Pronaf, e para a compra destes alimentos pelo PAA e o PNAE. São muitos os incentivos governamentais - além da crescente demanda de mercado por esses alimentos saudáveis - para os pequenos agricultores mudarem a forma de plantar e abolirem por completo o uso dos agrotóxicos em suas plantações”, comentou Tito Reis com os presentes na palestra.


Para Natalício Panta dos Santos, irrigante no Jacarecica II e assentado no Dandara desde 2002, a modernização da agricultura, com o uso de agrotóxicos é algo relativamente novo. Para ele é desnecessário o pequeno agricultor optar pelo uso de agroquímicos para produzir. “No tempo de meu pai, não se ouvia falar em agrotóxico e as pessoas tinham mais saúde, mais disposição, porque não lidavam com isso para plantar. Ao contrário de hoje, que as pessoas adoecem lidando com esses produtos. Planto batata-doce, milho, amendoim, feijão-de-corda sem precisar usar agrotóxico”, desabafa o agricultor que combate as pragas em sua lavoura usando uma solução natural de extrato de nim, fumo e pimenta.


Maria Terezinha Albuquerque, coordenadora do PAIS (Produção de Alimentos Integrada e Sustentável) na Cohidro, desponta a aptidão à agroecologia do Jacarecica II, onde são muitos os irrigantes que optam por técnicas orgânicas de cultivo. “Foram instalados, através de convênio com o Sebrae, 50 kits PAIS no Perímetro, onde o produtor pode fazer o consórcio da agricultura orgânica com a criação de galinhas que, por sua vez, fornecem adubo natural para as plantas. Sem dúvida, a disponibilidade da água para irrigação, fornecida pela Companhia, amplifica o potencial do sistema, que tanto fornece alimentos à família, como gera renda com a venda”.


Já Mardoqueu Bodano, presidente da Cohidro, reforça sua opinião de que o produtor rural é, junto do consumidor, a parcela mais prejudicada nos problemas causados pelo uso irracional dos agrotóxicos. “Emdagro e Cohidro, com orientação e capacitação, tentam livrar o agricultor do papel de réu, quando se tenta justificar as mazelas que agrotóxico pode provocar quando usado de forma irresponsável. Pois pouco se fala da indústria química, sedenta por lucros, investindo em propaganda para oferecer soluções cada vez mais perigosas aos problemas que podem, muitas vezes, serem resolvidos de maneira natural, sem degradar o meio ambiente e nem pôr em risco a saúde humana, graças a intervenção agroecológica”.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Irrigantes da Cohidro apostam em novas tecnologias de plantio


É cada vez mais comum presenciar agricultores atendidos pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), investirem em novas técnicas e equipamentos para produzir com melhores resultados e baixo impacto ambiental. Uma das novidades, no Perímetro Irrigado Piauí, no Município de Lagarto, é o uso do “molshing”. Se trata de uma lona especial que cobre o canteiro a ser cultivado, protegendo o solo de pragas, da evaporação, como também separa o fruto do contato com o solo, evitado a ação de doenças.

Marcos Melo Menezes é um dos que apostaram na aplicação do “molshing”. Em 1 hectare plantou 5 mil mudas de tomate da variedade “TY”. Ele acredita que o sistema lhe trará diminuição nos custos de produção. “Vou diminuir o gasto principalmente com o uso de menos mão de obra para os tratos culturais, pois com a lona não é preciso capinar os canteiros, nela as ervas daninhas não nascem. São 62 canteiros de duas carreiras, aplicando uma linha por canteiro e usando o espaçamento de 60 cm entre uma muda e outra”, revela, dizendo que depois do plantio e até a colheita, só são necessárias duas pessoas para dar manutenção à plantação, contra os quatro que usaria sem a técnica.

Preto e branco 

No “molshing” a lona é branca em uma das faces e preta na outra. Na parte branca, que fica exposta no canteiro, o material apresenta um alto índice de dispersão de luz. Refletindo o sol, ela faz com que a planta receba os raios solares também no sentido ascendente, fazendo sua distribuição uniforme e evitando o desenvolvimento de fungos. Outra vantagem da parte clara do plástico é a menor absorção de calor, característica da cor que é a inversa, quando se trata do preto. Assim, na parte externa, se evita a queima das folhas e o cozimento dos frutos pela alta temperatura.


A face interna, que é preta, retém a evaporação do solo, outra vantagem segundo Marcos Melo. “Quanto menos umidade se perde, menor é a necessidade de irrigação e menor é a perda também de nutrientes”, conta, se referindo à lixiviação, que é quando o excesso de água dilui os nutrientes presentes no substrato terroso, ocasionando em perda na fertilidade. “A própria proteção que a lona faz, evitando o escorrimento causado pela água, tanto da irrigação como da chuva, já é uma garantia de que não serão perdidos esses nutrientes, essenciais para o desenvolvimento da planta”, completa.

Marcos também pretende economizar, com a lona, na eliminação das guias usadas nas plantações convencionais da fruta, para manter o tomateiro em pé e fora de contato com o solo. “A planta vai crescer rasteira e o ‘molshing’ vai evitar o contato do fruto com o solo, que se estragaria pela ação de doenças e pragas”, relatou. Além do material, é eliminado o uso de mão de obra extra na instalação. “O gasto agora é menor, antes era de R$ 600 por semana, hoje faço quase que tudo sozinho”, resume o irrigante que investiu R$ 5 mil na implantação, incluído todos os custos e equipamentos da lavoura. Ele pretende gastar mais R$ 3 mil até o final da colheita, na manutenção.

Fertirrigação

Outra técnica usada na lavoura de Marcos Melo é a fertirrigação, que no caso do plantio usando o “molshing”, é aplicada por mangueiras plásticas que passam por debaixo da lona e que fazem a irrigação por gotejamento. “O adubo é diluído na água que vem do sistema de irrigação da Cohidro. Uso um fertilizante líquido organomineral foliar, acrescido de fertilizante mineral sólido, à base de fósforo e nitrogênio“, explica o agricultor que também aplicou o método ao seu pomar de pera. Ele é um dos irrigantes escolhidos a abrigar os campos experimentais da Embrapa, para introdução de frutas de clima temperado, em Lagarto.


Para o técnico da Cohidro, José Américo, a fertirrigação é uma maneira eficiente de fornecer a adubação durante o ciclo de produção. “Sob pressão, os nutrientes necessários para a planta são levados de forma homogênea e diminui o trabalho que convencionalmente é feito de maneira manual, com fertilizante sólido, que tanto pode ser distribuído de forma irregular como também demora a ser absorvido, ao contrário do líquido, diluído na água da irrigação. No gotejamento, água e fertilizante são aplicados direto no solo, sem risco de prejudicar a parte externa da planta, que não carece desses nutrientes, somente a raiz”, ilustra.

Os tomates de Marcos Melo foram plantados em outubro, através de mudas transplantadas e cultivadas em sua estufa. “em até 45 dias, por volta do dia 15 de dezembro, inicio a colheita. Espero colher 2 mil caixas. Revendidas à R$ 15 a caixa, pretendo garantir um rendimento bruto de R$ 10 mil a R$ 11 mil”, se anima o irrigante que viu na aplicação dessas novas técnicas uma maneira se suprir a carência de mão de obra no campo e diminuir seus custos, tornando seu lote irrigado ainda mais produtivo que é, por conta da irrigação fornecida pela Cohidro.


João Quintiliano Fonseca, engenheiro agrônomo e diretor de Irrigação da Cohidro, vê na aplicação do “molshing” outras vantagens ao cultivo irrigado. “A aplicação da técnica com a fertirrigação, além de diminuir custos ao produtor, limita o uso de defensivos químicos. A proteção do solo com a lona acaba com a proliferação das ervas daninhas, que roubam os nutrientes da planta cultivada e que geralmente são combatidas com herbicidas. Por outro lado, a distribuição homogênea da luz do sol previne a planta da incidência de fungos, que evita o uso de mais um produto químico. Protegendo a parte superficial da planta do contato direto com o solo, maior vetor de doenças e pragas, mais uma vez o agricultor estará evitando o uso de agrotóxicos", esclarece.


O presidente da Cohidro, Mardoqueu Bodano comemora, ao ter noção da aplicação de novas tecnologias agrícolas que são viáveis e ao alcance dos pequenos produtores dos Perímetros. “Não só de tratores e máquinas, úteis aos grandes latifúndios, se faz o avanço científico no campo. Ainda bem que as indústrias do setor também pensam na agricultura familiar e inventam técnicas acessíveis aos que têm pouco espaço para plantar, mas que possuem vontade, gerando renda através da produção de alimentos. Aliada à irrigação que a Companhia fornece essas novas técnicas levam, definitivamente, o progresso ao campo”, conclui.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Perímetro da Cohidro recebe palestra sobre insumos agrícolas naturais‏

Com foco na crescente demanda de irrigantes já inseridos e em outros com a disposição para migrarem à agricultura orgânica no Perímetro Irrigado Piauí, empresa multinacional australiana - estabelecida no Brasil - expôs sua linha de nutrição vegetal e indução de resistência à patologias, em palestra realizada nesta terça-feira, 28, no escritório da Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro) no município de Lagarto. Os produtos não possuem toxidade e segundo os técnicos, podem ser utilizados em plantios livres de agroquímicos.
São linhas de produtos diferentes para cada grupo de plantas que tem comportamento e características biológicas parecidas. Cada um dos itens tem sua função na planta e o uso consorciado tem a função de complementar os nutrientes necessários para um desenvolvimento superior e a nível comercial, como também contribui para que o vegetal combata doenças e pragas através de seu sistema de defesa natural, da mesma forma com que os medicamentos imunoestimulantes agem no organismo dos seres humanos.

Por não serem produzidos com químicos que oferecem risco de contaminação à planta, água e ao solo, ao contrário dos agrotóxicos, são produtos seguros à produção de alimentos orgânicos, como defende o engenheiro agrônomo da Empresa Fábio Soriano. “Igualmente aos agroquímicos, combate patologias como fungos e infecções bacterianas, mas a partir da indução de resistência à patologias com o uso de óxidos e carbonatos. Usamos matéria prima da mesma origem que a das empresas do ramo farmacológico e alimentício, que oferecem alto grau de pureza”, explica ele que representa a Multinacional nos estados de Sergipe, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco.

Segundo o técnico da Cohidro, José Raimundo Pereira de Matos, estes produtos não foram registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento como insumos para produção orgânica, mas são naturais e só por isso foi o aberto o espaço à Empresa para expor aos agricultores. “Fui procurado pelos representantes da marca, que nos propuseram apresentar esta linha, sendo que até muitos deles já tinham sido testados por alguns irrigantes. Além dessa palestra, a Empresa se ofereceu a promover outras experiências de campo, em cultivos orgânicos que estejam iniciando”, relatou ele que é o responsável pela orientação dos cultivos agroecológicos Perímetro Piaui.

Os irrigantes do Perímetro de Lagarto ficaram satisfeitos com a explanação sobre a linha de produtos e boa parte deles vai experimentar. Um deles é José Antônio dos Santos, conhecido por “Tonho Mãozinha”. “Quero fazer uma tentativa com três produtos, uma à base de cálcio, outro de boro e um terceiro de magnésio, na plantação de maracujá que estou iniciando. Eles são usados para nutrição da planta e soltam mais flor, que me assegura produzir mais frutos”, conta o agricultor, convencido de experimentar os insumos mais pela indicação dos vizinhos que já usam, embora tenha compreendido a explicação técnica dos representantes.

A face interna, que é preta, retém a evaporação do solo, outra vantagem segundo Marcos Melo. “Quanto menos umidade se perde, menor é a necessidade de irrigação e menor é a perda também de nutrientes”, conta, se referindo à lixiviação, que é quando o excesso de água dilui os nutrientes presentes no substrato terroso, ocasionando em perda na fertilidade. “A própria proteção que a lona faz, evitando o escorrimento causado pela água, tanto da irrigação como da chuva, já é uma garantia de que não serão perdidos esses nutrientes, essenciais para o desenvolvimento da planta”, completa.
Transição
Para a engenheira agrônoma Sônia Loureiro, gerente de Desenvolvimento Agropecuário da Cohidro, os produtos que foram apresentados aos irrigantes casam com a atual situação do Perímetro Piauí, onde a maioria dos irrigantes está convencida da vantagem em aderir à produção agroecológica e precisa de insumos que sirvam como auxiliares nessa fase de transição, que na sua opinião é tanto uma etapa demorada, quanto é a que mais carece da atenção do agricultor.
“Quando um solo está muito degradado, por culturas convencionais e uso de produtos químicos, há um longo tempo de transição para a o cultivo agroecológico. Além de toda cobertura vegetal que se aplica para recuperação do solo, muitas vezes é necessária a utilização de produtos comerciais desenvolvidos para a agricultura orgânica e que sirvam para combater as moléstias que se aproveitam da situação fragilizada deste solo”, elucida Sônia Loureiro, satisfeita com o evento realizado em Lagarto, que considerou importante para o esclarecimento dos irrigantes que querem se tornar orgânicos.

Mardoqueu Bodano, presidente da Cohidro, comemora a ação, tanto pela crescente demanda de produção orgânica, como também o status de desenvolvimento do agricultor familiar no perímetro de Lagarto. “Os irrigantes do Perímetro Piauí passam por um processo de crescimento, melhorando sua situação econômica, ao ponto de se tornarem público alvo para grandes empresas de insumos agrícolas e o cultivo agroecológico cresce cada vez mais nos lotes, tomando o lugar do convencional. São agricultores cada vez mais convencidos de que a nova agricultura preza pela qualidade de vida no campo e eles ainda querem agregar valor, ao oferecer produtos saudáveis ao consumidor”.