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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Irrigantes da Cohidro apostam em novas tecnologias de plantio


É cada vez mais comum presenciar agricultores atendidos pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), investirem em novas técnicas e equipamentos para produzir com melhores resultados e baixo impacto ambiental. Uma das novidades, no Perímetro Irrigado Piauí, no Município de Lagarto, é o uso do “molshing”. Se trata de uma lona especial que cobre o canteiro a ser cultivado, protegendo o solo de pragas, da evaporação, como também separa o fruto do contato com o solo, evitado a ação de doenças.

Marcos Melo Menezes é um dos que apostaram na aplicação do “molshing”. Em 1 hectare plantou 5 mil mudas de tomate da variedade “TY”. Ele acredita que o sistema lhe trará diminuição nos custos de produção. “Vou diminuir o gasto principalmente com o uso de menos mão de obra para os tratos culturais, pois com a lona não é preciso capinar os canteiros, nela as ervas daninhas não nascem. São 62 canteiros de duas carreiras, aplicando uma linha por canteiro e usando o espaçamento de 60 cm entre uma muda e outra”, revela, dizendo que depois do plantio e até a colheita, só são necessárias duas pessoas para dar manutenção à plantação, contra os quatro que usaria sem a técnica.

Preto e branco 

No “molshing” a lona é branca em uma das faces e preta na outra. Na parte branca, que fica exposta no canteiro, o material apresenta um alto índice de dispersão de luz. Refletindo o sol, ela faz com que a planta receba os raios solares também no sentido ascendente, fazendo sua distribuição uniforme e evitando o desenvolvimento de fungos. Outra vantagem da parte clara do plástico é a menor absorção de calor, característica da cor que é a inversa, quando se trata do preto. Assim, na parte externa, se evita a queima das folhas e o cozimento dos frutos pela alta temperatura.


A face interna, que é preta, retém a evaporação do solo, outra vantagem segundo Marcos Melo. “Quanto menos umidade se perde, menor é a necessidade de irrigação e menor é a perda também de nutrientes”, conta, se referindo à lixiviação, que é quando o excesso de água dilui os nutrientes presentes no substrato terroso, ocasionando em perda na fertilidade. “A própria proteção que a lona faz, evitando o escorrimento causado pela água, tanto da irrigação como da chuva, já é uma garantia de que não serão perdidos esses nutrientes, essenciais para o desenvolvimento da planta”, completa.

Marcos também pretende economizar, com a lona, na eliminação das guias usadas nas plantações convencionais da fruta, para manter o tomateiro em pé e fora de contato com o solo. “A planta vai crescer rasteira e o ‘molshing’ vai evitar o contato do fruto com o solo, que se estragaria pela ação de doenças e pragas”, relatou. Além do material, é eliminado o uso de mão de obra extra na instalação. “O gasto agora é menor, antes era de R$ 600 por semana, hoje faço quase que tudo sozinho”, resume o irrigante que investiu R$ 5 mil na implantação, incluído todos os custos e equipamentos da lavoura. Ele pretende gastar mais R$ 3 mil até o final da colheita, na manutenção.

Fertirrigação

Outra técnica usada na lavoura de Marcos Melo é a fertirrigação, que no caso do plantio usando o “molshing”, é aplicada por mangueiras plásticas que passam por debaixo da lona e que fazem a irrigação por gotejamento. “O adubo é diluído na água que vem do sistema de irrigação da Cohidro. Uso um fertilizante líquido organomineral foliar, acrescido de fertilizante mineral sólido, à base de fósforo e nitrogênio“, explica o agricultor que também aplicou o método ao seu pomar de pera. Ele é um dos irrigantes escolhidos a abrigar os campos experimentais da Embrapa, para introdução de frutas de clima temperado, em Lagarto.


Para o técnico da Cohidro, José Américo, a fertirrigação é uma maneira eficiente de fornecer a adubação durante o ciclo de produção. “Sob pressão, os nutrientes necessários para a planta são levados de forma homogênea e diminui o trabalho que convencionalmente é feito de maneira manual, com fertilizante sólido, que tanto pode ser distribuído de forma irregular como também demora a ser absorvido, ao contrário do líquido, diluído na água da irrigação. No gotejamento, água e fertilizante são aplicados direto no solo, sem risco de prejudicar a parte externa da planta, que não carece desses nutrientes, somente a raiz”, ilustra.

Os tomates de Marcos Melo foram plantados em outubro, através de mudas transplantadas e cultivadas em sua estufa. “em até 45 dias, por volta do dia 15 de dezembro, inicio a colheita. Espero colher 2 mil caixas. Revendidas à R$ 15 a caixa, pretendo garantir um rendimento bruto de R$ 10 mil a R$ 11 mil”, se anima o irrigante que viu na aplicação dessas novas técnicas uma maneira se suprir a carência de mão de obra no campo e diminuir seus custos, tornando seu lote irrigado ainda mais produtivo que é, por conta da irrigação fornecida pela Cohidro.


João Quintiliano Fonseca, engenheiro agrônomo e diretor de Irrigação da Cohidro, vê na aplicação do “molshing” outras vantagens ao cultivo irrigado. “A aplicação da técnica com a fertirrigação, além de diminuir custos ao produtor, limita o uso de defensivos químicos. A proteção do solo com a lona acaba com a proliferação das ervas daninhas, que roubam os nutrientes da planta cultivada e que geralmente são combatidas com herbicidas. Por outro lado, a distribuição homogênea da luz do sol previne a planta da incidência de fungos, que evita o uso de mais um produto químico. Protegendo a parte superficial da planta do contato direto com o solo, maior vetor de doenças e pragas, mais uma vez o agricultor estará evitando o uso de agrotóxicos", esclarece.


O presidente da Cohidro, Mardoqueu Bodano comemora, ao ter noção da aplicação de novas tecnologias agrícolas que são viáveis e ao alcance dos pequenos produtores dos Perímetros. “Não só de tratores e máquinas, úteis aos grandes latifúndios, se faz o avanço científico no campo. Ainda bem que as indústrias do setor também pensam na agricultura familiar e inventam técnicas acessíveis aos que têm pouco espaço para plantar, mas que possuem vontade, gerando renda através da produção de alimentos. Aliada à irrigação que a Companhia fornece essas novas técnicas levam, definitivamente, o progresso ao campo”, conclui.

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